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Movimento Vencer e Viver é “porta aberta à esperança” na luta contra o cancro da mama

Cerca de 100 mulheres voluntárias, todas com cancro da mama no “currículo”, são há quatro décadas o “bálsamo” de outras tantas na região Centro que vivem o impacto do diagnóstico...

Foi há 26 anos que Olga Braz Pereira se “cruzou” com um diagnóstico de cancro da mama pela primeira vez. Professora de Português e Francês e com uma vida ocupada, não ficou muito entusiasmada quando alguém lhe falou num grupo de mulheres que, na Guarda, se juntava para ajudar e dar apoio a outras doentes com cancro da mama.

Primeiro “torceu o nariz”, depois, perante a insistência, lá concordou em disponibilizar duas horas a esta missão.

«Eu vou duas horas e mais nada, acabou», recorda Olga Braz Pereira para depressa, e em lágrimas de emoção, confessar que «as duas horas se transformaram em muitas horas» e o apoio às mulheres que, tal como lhe aconteceu, vivem a angústia de um diagnóstico de cancro da mama, uma das missões mais bonitas e especiais da sua vida.

A história de Olga Braz Pereira, hoje com 76 anos, é a da maioria das mulheres que se juntam ao Movimento Vencer e Viver (MVV), um dos mais especiais da Liga Portuguesa contra o Cancro (LPCC) que, este ano, está a comemorar em Coimbra 40 anos de existência.

«O Movimento Vencer e Viver é, sem dúvida, um dos braços mais importantes da Liga», confirma aquela que é, desde 2014, a coordenadora regional do Centro do MVV, falando nas particularidades especiais de um movimento de voluntárias que são todas mulheres com cancro da mama e, portanto, conscientes do impacto de um diagnóstico «muitas vezes inesperado», assim como da revolta, da angústia, do medo e das dúvidas por que passam as mulheres que se confrontam com uma notícia com esta dimensão.

«O nosso primeiro objetivo é sempre o apoio emocional, sermos uma porta aberta à esperança» das mulheres com cancro da mama, conta Olga Braz Pereira, adiantando que o papel das voluntárias é, em todos os momentos, perguntar «em que posso ajudar?».

«E muitas vezes, ajudar é apenas dizer que, se eu venci, a outra mulher também é capaz de vencer», continua, sem dúvida que, ao longo destes 40 anos, o trabalho do MVV se transforma «num bálsamo» para os dois lados desta relação.

Mulheres mais alerta e mais despertas

«É um trabalho muito gratificante», confessa, sem esconder a emoção, sublinhando que o segredo está na capacidade de «saber dar e de nos darmos».

E é isso que fazem as cerca de 100 voluntárias que, no Núcleo Regional de Coimbra da LPCC integram o MVV que, ao longo dos últimos 40 anos, têm ajudado a tornar «mais leve» a vida de quem se confronta com um cancro da mama e todas as transformações e exigências que acarreta.

«Além do apoio emocional, outro objetivo é a disponibilização de material», das próteses aos lenços e turbantes, passando pelo encaminhamento para apoio jurídico, para psicooncologia ou para radioterapia, numa ponte com a LPCC que faz dela «uma porta fundamental» para todas as respostas que a Liga tem para disponibilizar à doente.

O trabalho na comunidade é outro dos “braços” do trabalho do Movimento Vencer e Viver, com destaque para a prevenção e diagnóstico, através da sensibilização para o rastreio do cancro da mama, disponível para mulheres entre os 45 e os 74 anos. «Um caminho que se faz nas escolas, nas instituições, em associações e outros...» com resultados interessantes ao fim de quatro décadas de trabalho voluntário.

«O trabalho do Movimento e da Liga está a dar frutos, sem dúvida», confirma, falando em mulheres «mais alerta, mais despertas para o rastreio e a participar em maior número». Isto para além de o cancro, em particular o de mama, ser «cada vez menos visto como um tabu».

Razões mais do que suficientes para fazer um balanço positivo de 40 anos de MVV e mais de 20 em que aceitou, mesmo que pouco crente ao início, a missão de ser a mão e a guia de tantas mulheres com cancro de mama. «Enquanto houver uma mulher que precise de nós, do nosso ombro, da nossa atenção, da nossa ajuda e do nosso “colo” para vencer todas as particularidades de um diagnóstico de cancro de mama, cá continuaremos», remata Olga Braz Pereira. 

Natália Amaral fala no “exemplo” que são estas voluntárias

Entrevista Com Natália Amaral Da Lpcc

40 anos celebrados a debater “Diferentes Olhares sobre o Cuidar”

Os 40 anos do Movimento Vencer e Viver serão assinalados a 30 de maio, através das jornadas “Cancro da Mama: Diferentes Olhares sobre o Cuidar”, que decorrem no Hotel Aeminium.

«Será um momento de reflexão e convívio», confirmou ao Diário de Coimbra Natália Amaral, secretária executiva do Núcleo Regional do Centro da LPCC, que sublinha a importância do MVV «como braço da Liga» e «um exemplo» para as mulheres que se confrontam com um diagnóstico, que esperam por cirurgia ou que se sujeitam a um tratamento.

«São um apoio, uma mão que ajuda no caminho, um ombro, alguém que diz: pode chorar à vontade, pode falar, eu estou aqui», resume Natália Amaral.

Um papel fundamental se tivermos em conta que há 9.200 novos casos por ano de cancro de mama, como conta a responsável, para justificar a necessidade e a importância do acompanhamento das doentes, do ponto de vista emocional, mas não só.

O trabalho das voluntárias do MVV ao longo dos últimos 40 anos vai assim ser celebrado a debater “diferentes olhares sobre o cancro da mama”, da perspetiva dos sobreviventes, ao cuidado com o corpo, passando pela saúde estética e sexualidade, a como viver depois do cancro ou, também importante, às sequelas a longo prazo de um diagnóstico e tratamento de cancro da mama.

Igualmente abordada nas jornadas é a questão da inteligência artificial aplicada ao tratamento do cancro da mama, explica Natália Amaral, convicta de que as jornadas serão do interesse de doentes e sobreviventes, mas também profissionais de saúde e outros e do público em geral.

Participar nas jornadas dos 40 anos do Movimento VCencer e Viver, que terá início pelas 9h00, é gratuito, mas necessita de inscrição prévia que está disponível em ligacontracancro.pt/40anosmvv/.

Março 9, 2026 . 11:10

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