
Pedia-se em 1938 um fontenário na Praça Velha para dar água aos mais pobres
Sob o título “Reclamações do público”, o Diário de Coimbra noticiou a 30 de julho de 1938 que os responsáveis da Junta de Freguesia de S. Bartolomeu tinham-se deslocado aos Serviços Municipalizados para solicitar a «urgente instalação de um marco fontenário» na Praça do Comércio, em «substituição de um bebedouro» que ali existia e que nenhuma utilidade tinha para «fornecer a água tão necessária aos usos domésticos das classes pobres».
O artigo recordava que existira outrora naquela praça do centro da cidade «uma antiga e vistosa fonte que prestava grandes benefícios a toda a gente que por força tem de consumir o precioso líquido: a água», sendo a «classe pobre» especialmente beneficiada com esse serviço.
«Essa fonte sofreu várias reformas, até que uma das vereações da cidade resolveu suprimi-la definitivamente, em virtude de, por último, só fornecer água considerada imprópria para o consumo. Resolveu suprimir a fonte, quando o que parece que estava mais indicado era substituir a água má por água boa dos Serviços Municipalizados, pois assim o exigia a higiene e a saúde de muita gente pobre», comentou o autor do apontamento, observando que muita dessa população de escassos recursos vivia em casas da Baixa sem água canalizada.
Infelizmente, complementava, a freguesia de S. Bartolomeu era «uma das mais povoadas por pessoas nessas precárias condições de existência», que se viam «na necessidade de ir ao rio buscar a água indispensável».
No verão, o reduzido caudal do Mondego e o aproveitamento do rio para atividades de lazer, designadamente com a praia fluvial que nessa época funcionava em frente ao Parque da Cidade, tornavam «impossível aproveitar-se para usos caseiros a água colhida directamente».
«Por isso a Junta de Freguesia de S. Bartolomeu tem recebido instantes reclamações dos seus paroquianos para serem tomadas providências por quem de direito», informou, esperando que fosse atendida em breve pelos serviços da Câmara Municipal «tão justa pretensão».
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