
Abrunhosa acusa ex-executivo de querer OAF “de mão estendida”
A Assembleia Municipal (AM) de Coimbra aprovou, ontem, com 42 votos a favor, sete abstenções e um voto contra, a revisão do contrato-programa de desenvolvimento desportivo entre município Coimbra e Associação Académica de Académica/Organismo Autónomo de Futebol (AAC/OAF). A proposta mereceu a intervenção das várias bancadas que compõem a AM, com o PSD (votou favoravelmente) e o Chega (votou contra) a questionarem a falta de um parecer jurídico sobre a referida revisão.
Ana Abrunhosa não gostou do que ouviu e afirmou que a questão «nunca foi de natureza jurídica mas sim política», acusando o anterior executivo liderado por José Manuel Silva (Juntos Somos Coimbra)- que conduziu o contrato que agora é revisto – de querer a «AAC/OAF de mão estendida». «Era uma atitude de quero, posso e mando» no Estádio Cidade de Coimbra atirou a presidente da Câmara Municipal de Coimbra, visivelmente alterada com a situação.
Recorde-se, que na reunião de câmara de 2 de março, esta revisão foi aprovada sem a presença de cinco vereadores da oposição, que saíram momentaneamente da sala. José Manuel Silva, anterior presidente garantira, na altura, que, pela experiência então obtida, frisou não ter dúvidas de que a proposta era ilegal, sugerindo ao município que solicitasse um parecer jurídico à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro. Já João Francisco Campos, que nunca tomaria uma decisão contra a Académica (sócio há 40 anos, com vários cargos no clube), questionou a pressa e reclamou também um parecer jurídico nesta questão «sensível».
Assembleia Municipal decorreu no edifício sede da Filarmónica União Taveirense
A autarca justificou que para avançar com esta proposta a autarquia escudou-se num «parecer de um reputado professor universitário». «O contrato por muito que esteja blindado tem de ser acompanhado para se saber para onde vão as receitas», garantiu Ana Abrunhosa, adiantando que, atualmente «o estádio não tem manutenção». A edil disse igualmente que «todos os clubes podem utilizar o equipamento» e que este contrato permitirá à AAC/OAF «ter receitas para sair da situação em que se encontra».
O deputado socialista Alexandre Serra lamentou a posição da coligação Juntos Somos Coimbra na reunião de câmara, garantindo que não era necessário um parecer jurídico para aprovar o contrato. «A falta de parecer jurídico é uma falácia. Se fosse ilegal, como é que em Leiria e em Braga os clubes realizam concertos nos estádios municipais?”, questionou. Por seu lado, Ricardo Lopes, do PSD, referiu que a revisão do contrato «deveria ter sido acompanhada com um parecer jurídico».
Manuel Rocha (CDU) diz estar-se perante «uma situação complicada», considerando que se está a «produzir um apoio à Académica» mas recordando que «existem outros clubes em Coimbra».
A revisão da gestão permite à Académica usar o estádio municipal para concertos e mantém a possibilidade de cedência do equipamento a outros clubes do concelho.
O novo entendimento, com vigência por quatro anos, «pretende garantir estabilidade, previsibilidade e equilíbrio na gestão do equipamento municipal», sublinha a autarquia.












