
Festival Literário desafia o público para um banho imersivo de cultura
Depois do sucesso da primeira edição, Penacova vive, até 7 de março, o 2.º Festival Literário. Um evento concentrado nos diferentes espaços da Biblioteca Municipal, onde decorre, em simultâneo, a Feira do Livro. Na Sala Infantil, foi também inaugurado, esta manhã, o “Escape Room”. Um desafio que é, efetivamente, uma “escapatória” para um outro mundo, cuja porta é, nem mais nem menos do que um roupeiro. Afastam-se camisas e fatos e entra-se num espaço de jogo, pensado para todas as idades, que parte de uma lenda de Penacova e envolve um conjunto de questões de cultura geral. A lógica é fundamental para resolver os enigmas, ao longo de 60 minutos, com sessões restritas a quatro pessoas e com marcações prévias, que podem ser feitas desde já.
Inaugurada, também esta manhã, no átrio do Auditório Municipal, está a exposição “Dizer as Palavras por imagens”, da autoria do pintor João Rebelo, e escassos metros à frente, no Auditório, decorrem as conversas com os escritores e apresentação de livros. Rita Ferro e Dulce Maria Cardoso, duas figuras gigantes da literatura nacional, foram as primeiras convidadas de um vasto programa de tertúlias, que hoje, pelas 14h30, conta com a presença de Sérgio Godinho, personalidade mais conhecida do mundo da música do que da literatura, que apresenta o seu mais recente livro, “Como se não houvesse amanhã”. Até sábado, multiplicam-se os convidados, como Gonçalo M. Tavares, João Tordo, Ana Bárbara Pedrosa, Paulo Galindro e Luísa Sobral.
Mas o Festival Literário não se esgota nos livros e na literatura. Há cinema, teatro, performance e música, manifestações culturais diferenciadas que o «tornam mais apetecível», no dizer do presidente da Câmara de Penacova, entidade responsável pela organização do evento, em articulação com o Agrupamento de Escolas, a Rede de Bibliotecas de Penacova e a Rede de Bibliotecas Escolares. De resto, Álvaro Coimbra desafiou os jovens – que lotaram por completo o Auditório Municipal - a aproveitarem ao máximo este evento, convidando-os a questionarem os autores sobre as respetivas vivências para «percebem o bem que faz ler, o bem que faz ver o mundo com outros olhos». «Este festival é sobretudo para vós», referiu.
O livro, disse ainda o autarca, é muito mais do que «um objetivo decorativo» que se «coloca na estante lá de casa». «O livro entra nas nossas vidas, transporta-nos para diversos lugares, permite-nos viajar no tempo», disse. «Num mundo cada vez mais digital, dominado pelas app e pelas redes sociais que nos tolhem o pensamento e o espírito crítico, o livro é o melhor antídoto», referiu ainda Álvaro Coimbra.
“Oportunismo e aproveitamento político”
«Em jeito de rodapé», o autarca lamentou o «oportunismo», o «aproveitamento político» e «todo o ruído» feito em redor do Festival Literário, face ao convite e “desconvite” feito a Miguel Carvalho, autor de uma obra sobre o partido Chega. «Houve um erro de programação que não deveria ter acontecido», lembrou Álvaro Coimbra, que deixou bem claro que o município, como «pessoa coletiva de direito público» que é, tem o dever de se manter à margem da organização de eventos «conotados com, contra ou em que sejam visados partidos políticos». «Não se trata de censura, mas do mais elementar princípio de isenção», uma «linha condutora da qual não abdicamos», rematou o presidente da Câmara de Penacova, no discurso oficial de abertura do Festival Literário.











