
Portugal precisa de planeamento estratégico
«O planeamento estratégico é um vetor fundamental para o país». A afirmação é de António Mendonça, bastonário da Ordem dos Economistas (OE), que lembrou que algumas das grandes obras realizadas no país, como Sines ou o Alqueva, são fruto desse planeamento “à la longue”, desenvolvido no passado. Programas que desapareceram nos anos 80 e que são cruciais para o «desenvolvimento sustentável» do país, que não pode pensar apenas no imediato, mas ter uma «perspetiva de futuro».
O antigo ministro, especialista em macroeconomia, falava ontem na cerimónia de assinatura de um protocolo entre o Instituto Superior Miguel Torga (ISMT) e a OE e, em total sintonia com Manuel Castelo Branco, presidente da instituição, considerou que este poderá ser o tema de um fórum de reflexão, a promover no final do primeiro semestre. Argumentos há de sobra. Não apenas pela urgência da temática em si, mas pelas circunstâncias que se vivem no país e em particular na região Centro, assolada por uma tempestade arrasadora.
O Programa Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência, PTRR, «é interessante», «mas tem que ser bem pensado para não se desperdiçarem investimentos», afirmou. António Mendonça lembrou que Portugal «tem tendência para a política do regador», o que significa que corre o risco de «regar a areia», o que não pode nem deve acontecer. «Temos que ser exigentes», «selecionar objetivos de natureza estratégica e separar o trigo do joio», de molde a enfrentar «os problemas estruturais do país», disse». Para o bastonário, é fundamental eleger e apoiar investimentos que «se projetem, ganhem escala e tenham efeitos catalisadores» no desenvolvimento do país e no futuro das gerações mais jovens.
Um item fundamental para o presidente do Conselho de Direção do ISMT que encara este protocolo como mais uma ferramenta para os alunos da escola e para o desenvolvimento de uma reflexão «livre e provocatória», distanciada de «conceções políticas».
Castelo Branco classificou a assinatura deste protocolo como «uma lição de descentralização», com o bastonário a deslocar-se a Coimbra, e garantiu que o documento é para cumprir. O mesmo asseverou António Mendonça, que classificou o momento como a «primeira iniciativa formal» deste cariz assumida pela OE.|
Ordens distinguidas pelo Presidente da República
O bastonário da OE, professor catedrático de Economia, que também preside ao Conselho Nacional de Ordens Profissionais (CNOP), fez questão de referir, ontem na cerimónia, o reconhecimento do Presidente da República, em vésperas de abandonar funções, às 20 Ordens Profissionais existentes no país, com a atribuição do grau de Membro-Honorário da Ordem do Infante, entregue quinta-feira. «Foi uma surpresa», disse António Mendonça, satisfeito com este «reconhecimento do mais alto magistrado do país», o que significa que estas organizações profissionais, de caráter setorial e independentes, «são muito importantes na discussão da organização estratégica e no futuro do país».











