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“Preservar e divulgar” a música popular é essencial

Vitorino Salomé celebra “50 anos de Plantar Salsa ao Reguinho” com uma atuação cheia de novidades no dia 1 de março. O Convento São Francisco foi o palco escolhido, onde também se apresenta edição discográfica em vinil

Diário de Coimbra “Semear Salsa ao Reguinho” surgiu num momento muito particular da história portuguesa. Olhando para hoje, encontra paralelismos entre esse tempo e a atualidade?
Vitorino Salomé Cada tempo tem as suas inquietações, mas há coisas que regressam sempre. Quando o “Semear Salsa ao Reguinho” apareceu, em 1975, Portugal estava a descobrir-se outra vez, havia uma vontade enorme de liberdade e de dizer coisas que durante muito tempo tinham ficado caladas. As pessoas procuravam identidade, procuravam voz. Hoje não vivemos a mesma realidade, felizmente, mas sinto que existe novamente uma certa inquietação coletiva. Há dúvidas sobre o futuro, sobre o lugar das pessoas no mundo e sobre a própria cultura. Nesses momentos a música volta a ter mais importância, porque ajuda a pensar e também a unir. Talvez a diferença seja que naquela altura tudo parecia começar. Hoje sabemos que a liberdade é algo que precisa de ser cuidada todos os dias. Nesse sentido, sim, encontro paralelismos — porque as canções continuam a lembrar-nos quem somos e de onde vimos.

⁠Cinquenta anos depois, este álbum continua a fazer sentido? Ou talvez faça ainda mais sentido agora?
As canções nunca pertencem apenas ao tempo em que são escritas. Quando fiz o disco falava das pessoas, da terra e das dificuldades de um país muito concreto, mas essas realidades reconfiguraram-se, não desapareceram. Hoje este disco já não é apenas o retrato de uma época, é também memória, e a memória ajuda-nos a compreender o presente. Há temas que continuam muito atuais e é bonito ver gente nova a descobrir estas músicas como se fossem de agora. Isso mostra que ainda respiram.

⁠Quando decidiu revisitar o disco meio século depois, quais eram as expectativas para esta nova edição?
Não parti muito de expectativas, mas de curiosidade pelo resultado. Cinquenta anos é quase uma vida inteira e quis perceber o que tinha mudado em mim e nas canções. Não quis fazer nostalgia, mas reencontrar a música com outros músicos e outras gerações. Era como voltar a conversar com velhos amigos.

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Fevereiro 26, 2026 . 11:20

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