
Talentos à prova na Academia em Concerto
O Estúdio Metamorfose recebeu mais uma edição do Academia em Concerto, no âmbito da atividade da Academia de Música de Coimbra. Com transmissão em parceria com o Diário de Coimbra, o projeto cruza apresentação artística e acompanhamento pedagógico no mesmo momento. A sessão foi apresentada por Pedro Ferreira, fundador e diretor-geral da instituição, que voltou a sublinhar a ideia-base do formato: valorizar não apenas o resultado final, mas o percurso — estudo, evolução e coragem de partilha artística perante o público.
«Uma experiência tantas vezes vivida nas mais diversas situações da vida, seja numa entrevista de emprego, na exposição pública de um trabalho de escola ou numa conversa difícil», referiu Pedro Ferreira no briefing aos alunos, encarregados de educação e restantes participantes, momentos antes do início do concerto.
Mais do que uma audição tradicional, o Academia em Concerto assume-se como «uma mostra de desenvolvimento: um formato simples e próximo, pensado para dar espaço à aprendizagem real, sem a rigidez de uma “prova”», um contraste que se «ainda mais evidente por acontecer num estúdio profissional, com registo cuidado e transmissão ao vivo, aproximando o público do trabalho que se constrói diariamente nas salas de aula».
O alinhamento reuniu participantes de várias idades e instrumentos. A bateria abriu a tarde com intérpretes de 8 e 14 anos, em momentos que evidenciaram energia, foco e a capacidade de transformar nervosismo em música. Seguiram-se duas participações de flauta transversal, com duas irmãs de 7 e 10 anos, em fases distintas do percurso no instrumento — uma a iniciar-se e outra já no terceiro ano — mostrando como exigência e entusiasmo podem andar lado a lado.
O violino esteve em evidência com intérpretes de 14, 15 e 29 anos, num cruzamento geracional que reforçou como a prática musical acompanha diferentes etapas da vida. Foram momentos marcados por consistência, cuidado interpretativo e evolução visível. A viola d’arco, com um intérprete de 10 anos, acrescentou profundidade ao programa e destacou a importância do ouvido, do detalhe e da construção de som desde tenra idade.
Ao longo do concerto, o que ficou não foi apenas o que se ouviu, mas também o que está por trás de cada apresentação: gerir ansiedade, ganhar presença, consolidar disciplina e transformar
preparação em liberdade artística. Num ambiente próximo e participativo, esta edição voltou a confirmar a essência do projeto: dar palco ao que se vê — e ao que se trabalha, muitas vezes, em silêncio.
No final, ficou reforçada a importância deste formato como espaço de apresentação e acompanhamento do progresso dos alunos, num contexto profissional e com partilha pública em direto. Estão agendadas novas apresentações para este mês de fevereiro, uma delas hoje e outra na terça-feira, esta última com um dos grupos do programa Música com Vida (música para maiores de 50 anos): Academia com Vida – Lousã.











