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Mercado: portas abertas à esperança depois da derrocada

Está novamente de portas abertas o Mercado D. Pedro V, após ter estado encerrado durante uma semana devido à derrocada da cerca de Santo Agostinho. Houve modificações no espaço mas a diversidade impera

As bancas do Mercado D. Pedro V voltaram ontem a encher-se de cor, cheiros e sabores. Depois de uma semana de portas fechadas, ontem de manhã voltaram a abrir-se e a azáfama voltou a tomar conta do espaço, agora com uma nova disposição, devido à queda da cerca de Santo Agostinho, e que motivou o fecho repentino do espaço, por questões de segurança.
Tendo-se verificado que os riscos estavam no piso de cima, foi deslocada a zona da peixaria e da frutaria para o piso térreo, permitindo que continuem a realizar o seu negócio e os compradores acorram a este local tão antigo da cidade.
De volta do peixe, como faz há 42 anos, Fátima Andrade estava ontem no novo lugar, provisório, que lhe foi atribuído. «Nunca tinha vendido cá em baixo e se nos dessem as condições que são necessárias concordava em mudar. Estávamos todos os vendedores concentrados e era melhor», afirmou. Neste momento, a mudança é temporária e visa salvaguardar a segurança de vendedores e compradores, enquanto as obras de sustentação da cerca não estão concluídas. Mas não era possível estar mais tempo sem vender. «Muito tempo fechado e o prejuízo é grande», disse Fátima Andrade. Concordando, «plenamente», com o encerramento, e lembrando que «saú­de e vida há só uma», reconheceu que no andar de cima, onde têm a banca, há todas as condições para conservar o pescado e que o espaço é maior.
Agora, estão paredes meias com os legumes e com a banca de Isabel Gaspar, que há mais de 50 anos faz o negócio no mercado municipal a vender os produtos da (sua) terra. Entre pedidos de clientes que queriam aviar-se de couves, alfaces, nabos e outros produtos, Isabel Gaspar garantia que nunca tinha passado por uma situação em que o mercado fechou portas por tanto tempo e devido a uma situação em que podia ser posta em causa a segurança de todos os que ali passam.
Reconhecendo que teve prejuízos, «só se salvaram as batatas e o feijão», destacou a importância de todos estarem seguros, garantindo que ninguém é posto em perigo. «Concordo que o mercado tenha fechado, porque com a segurança não se brinca«, afirmou.

Cerca de Santo Agostinho colapsou e determinou fecho do espaço durante uma semana

Se vendedores estavam satisfeitos, também os clientes mostravam algum “alívio” por terem o seu espaço de compras novamente disponível e poderem comprar os produtos nos fornecedores habituais e onde, nalguns casos há muitos anos se habituaram a ir. «Graças a Deus que já podemos voltar aqui», dizia uma cliente que cumprimentava a “sua” vendedora, mostrando que aquele é o seu local escolhido para adquirir produtos.
Quem também desceu um piso para instalar a banca das frutas, foi Leonor Ferreira. Apesar das limitações e do trabalho que teve em “transportar” os seus produtos para baixo, estava satisfeita com esta alteração decidida pela autarquia e que permite que voltem ao negócio. «Estou há 46 anos a vender no mercado e nunca tinha estado no andar de baixo. Ainda não sei bem onde tenho tudo, porque estou muito habituada ao espaço lá de cima, mas acho que foi uma ótima decisão».
E, falando em decisão, se esta passasse por juntar todas as bancas no piso térreo, muitos não se importariam. Com as condições necessárias, nomeadamente no que à instalação de arcas frigoríficas e de gelo diz respeito, os vendedores, na generalidade, consideram que o negócio saía favorecido porque estava tudo no mesmo lugar «e os clientes circulavam».
Júlio Almeida, do talho Marques e Marques, estava satisfeito com a reabertura, contudo, lamentava os prejuízos que somou bem como o facto de não haver ainda uma data para que o parque de cima abra. «Era muito importante que o mercado voltasse a abrir, mas esta podia ser também uma oportunidade para que o espaço seja dinamizado para atrair mais clientes», afirmou.
Agora, provisoriamente, as bancas do peixe já estão a funcionar junto aos talhos e às bancas de frutas e legumes. No piso 1, na Praça do Mercado, está também de forma temporária o restaurante Peixe do Mercado.
As portas não estão todas abertas mas, lá dentro, tudo funciona em pleno e impera a diversidade.

Cerca De Santo Agostinho

Instabilidade no talude da Cerca de Santo Agostinho motivou decisão

Uma parte da Cerca de Santo Agostinho, localizada na zona tampão da área de Património da Unesco em Coimbra, colapsou no dia 7 de fevereiro, com sete pessoas a serem retiradas por precaução. A Cerca de Santo Agostinho, na Couraça dos Apóstolos, está localizada na zona traseira do Mercado Municipal de Coimbra, em zona tampão da área de Património Mundial da Humanidade.
Na altura, segundo a Proteção Civil Municipal, foram retiradas sete pessoas de prédios situados na Couraça dos Apóstolos por precaução, sendo que foram todas alojadas em casa de familiares. A situação na Cerca de Santo Agostinho estava já a ser acompanhada, depois de ter verificado a existência de uma fissura muito gran­de. A instabilidade registada no talude da Cerca de Santo Agostinho viria a determinar, no dia 11 de fevereiro, o fecho imediato do mercado, bem como do parque de estacionamento superior e a rua da Fonte Nova. Quer o parque quer a rua em causa, mantêm--se encerradas a toda a circulação.
Antes da primeira queda foi realizada uma vistoria para avaliação da estabilidade da cerca pelo município em colaboração com o IteCons.
Aguarda-se agora que o tempo seco se prolongue para que se iniciem as intervenções previstas para aquela zona e que permitam que ali tudo volte à normalidade.

Fevereiro 20, 2026 . 07:50

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