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Casal encontrou a morte a caminho de casa

O carro e casal que estavam desaparecidos desde o dia 10 foram ontem encontrados em Porto Godinho, numa zona que ficou submersa devido ao mau tempo. Popular viu o tejadilho do carro verde e deu o alerta às autoridades

Venâncio dos Santos Gomes e Maria de Fátima Pereira Soares, de 68 e 65 anos, respetivamente, encontravam-se desaparecidos desde a semana passada (dia 10). Foram ontem encontrados sem vida, no interior da viatura, em Porto Godinho, Soure. Foi um popular que por ali passava, ainda antes das 8h00, que avistou o que lhe pareceu ser o tejadilho de um carro submerso. Atirou uma pedra e, ao ouvir o som que esta fez, alertou as autoridades.

Pouco depois, confirmava-se que era o Citroen Saxo de cor verde em que seguiam Venâncio Gomes e Fátima Soares e que o casal se encontrava no seu interior.

Os corpos foram retirados à hora do almoço e transportados para o Instituto de Medicina Legal de Coimbra para serem autopsiados. Cerca das 15h00 era também retirado o carro da água, ficando agora à guarda das autoridades para a realização de perícias.

Após o desaparecimento do casal residente em Verride, Montemor-o-Velho, depois de uma consulta em Coimbra no dia 10 de fevereiro, a filha comunicou às autoridades que não conseguia contactar os pais e a última indicação do sinal de telemóvel surgia nas proximidades da zona onde o carro viria a ser encontrado. A filha, Laura Santos, que mora em Lisboa, tentava contactar os pais desde quarta-feira e acabou por denunciar o desaparecimento às autoridades na sexta-feira. Posteriormente, partilhou um apelo nas redes sociais.

Foram realizadas buscas, envolvendo vários meios e muitos populares, mas não havia qualquer pista. Surgia uma imagem num vídeo, captado por uma câmara de videovigilância de uma habitação existente em Porto Godinho, onde era possível ver um carro semelhante a passar na rua que levava a um arrozal submerso. O relógio marcava 1h40 da madrugada. Apesar de não se ver a matrícula, tudo indicava que se trata do Citroën Saxo que Venâncio Gomes conduzia. Havia muitas estradas cortadas e/ou condicionadas e o casal pode ter-se desorientado, indo por uma via que estava inacessível. As imagens ajudaram a GNR a delimitar o perímetro das buscas dos últimos dias.

Após a confirmação da identidade das vítimas, Celso Marques, comandante do destacamento da GNR de Montemor-o-Velho, explicou que o alerta foi dado por um cidadão que reparou na viatura submersa. Confirmando o corte da via, «com uma fita» que impedia o acesso, o capitão Celso Marques disse que era uma situação em muito semelhante a «outras estradas nos concelhos da Figueira da Foz, Montemor-o-Velho e Coimbra», devido às condições adversas e pelo facto de muitas estarem até submersas. Face a esta situação, acrescentou, «o casal poderá ter ficado desorientado», e no regresso a casa, já noite, foi por um caminho diferente e que, em condições normais, não seria usado para chegar a casa.

Naturalmente, e como sucede sempre nestas situações, todas as hipóteses estão em aberto, todavia, tudo aponta para um acidente, tendo em conta as condições atmosféricas e das vias naquele dia.

Após a confirmação dos óbitos, a Secção de Hóquei em Patins da AAC colocou, na rede social Facebook, uma mensagem de pesar tendo em conta que Venâncio Gomes foi atleta da AAC na década de 70 e 80: «O Venâncio é descrito pelos seus ex-colegas equipa como um jogador que adorava a modalidade, bom patinador, habilidoso, rápido e duro».

Casal Ereira

Buscas começaram na sexta-feira

As buscas foram iniciadas na sexta-feira, desde que o desaparecimento foi formalmente comunicado no posto de Montemor-o-Velho, e foram sendo realizadas nos dias seguintes. Foram mobilizados meios cinotécnicos, drones e equipas no terreno. Muitos populares juntaram-se nas buscas e, ontem, ao saberem que o carro tinha aparecido deslocaram-se para a zona para seguir as operações de resgate. Virgílio Ferreira, também residente em Verride e que conhecia o casal, não encontrava uma explicação para terem ido por aquela estrada . «A via tinha mais de um metro de água e talvez não tenham calculado o perigo»; afirmava ao Diário de Coimbra. Ciente que à medida que o tempo avançava a probabilidade de o casal ser encontrado com vida era quase nula, dizia não perceber como tinham arriscado. Essa era, de facto, a questão que se falava em todas as conversas, nos pequenos grupos de populares que ali se foram formando. A resposta nunca veio e talvez só a investigação possa permitir uma explicação para terem seguido por um caminho que os levou para a morte.

Fevereiro 19, 2026 . 07:45

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