
Viveiro centenário arrasado devido ao rebentamento do dique dos Casais
O dia 11 de fevereiro vai também ficar na história dos viveiros Alfredo Moreira da Silva. Os mais de 400 mil vasos que tinham colocados e cujas plantas seguiriam para venda, foram destruídos e arrastados pela força das águas na sequência do rebentamento do dique dos Casais, a cerca de 200 metros dos viveiros Alfredo Moreira da Silva.
Uma das instalações de produção, com cerca de 6 hectares, localizada a aproximadamente 200 metros do local onde ocorreu o rebentamento do dique, «sofreu impactos graves devido à força da água libertada com a rutura do dique». «Para além da inundação súbita e prolongada, a corrente gerada causou destruição significativa de infraestruturas, equipamentos e matérias-primas essenciais à produção», explicaram Albano Moreira da Silva e Daniel Veiga, responsáveis da empresa.
Após um investimento elevado, estavam já preparados os vasos para a nova campanha, bem como tinham sido colocadas novas telas e adquirido novo equipamento, que agora ficaram totalmente destruídos. As contas aos prejuízos – que serão muito elevados – ainda não estão feitas, uma vez que a água não desceu e ainda não foi possível aceder ao local. Só depois, nos próximos dias em que talvez já haja acesso, Albano Moreira da Silva e Daniel Veiga possam constatar, in loco, o rasto de destruição que foi deixado. Para já, conseguiram ver que «as telas estão todas levantadas, que os equipamentos, alguns novos, que estavam dentro do armazém ficaram alagados», no entanto, ainda não sabem a real dimensão de todo o prejuízo.
À medida que a água vai lentamente descendo, verifica-se que fica uma enorme quantidade de lama e de areia, que só depois de retirados é possível ver o que restou.
Os vasos com arbustos que tinham sido preparados na linha de envasamento e que daqui a cerca de seis meses estavam prontos para o mercado, agora foram levados na água e todo o trabalho e investimento ficaram perdidos.

«Tínhamos acabado de investir na renovação naquele setor e agora temos de fazer contas à vida e ver o que fazer», explicam ao Diário de Coimbra.
Os viveiros Alfredo Moreira da Silva, uma das empresas mais antigas e tradicionais do setor da produção de plantas ornamentais em Portugal, com 130 anos de história, tem atualmente 23 trabalhadores que estavam distribuídos por diferentes equipas. Equipas essas que agora foram reestruturadas para juntar os que estavam no espaço agora submerso.
Os responsáveis da empresa, que tem um volume de negócios de cerca de 1,3 milhões de euros por ano, esperam “dar a volta” a esta situação, e contam com os apoios existentes para a intempérie. Embora, afirmaram, neste momento as várias plataformas que encontram sejam todas direcionadas para a depressão Kristin e não para esta situação de cheia em específico.
«Estamos a trabalhar em estreita articulação com as entidades competentes para obter autorização de acesso às instalações e iniciar uma avaliação rigorosa dos danos. Confiamos que este desastre e os prejuízos sofridos sejam devidamente enquadrados nos mecanismos de apoio público disponíveis, à semelhança do que ocorreu em situações de intempéries anteriores, como a tempestade Kristin e outros fenómenos climatéricos recentes», adiantaram ao Diário de Coimbra.
Cientes que praticamente tudo foi perdido, querem voltar «rapidamente e em força», pois «este setor produtivo era uma componente central da estratégia de crescimento da empresa e a sua perda representa um duro golpe nas previsões de vendas para este ano, com impacto direto na capacidade produtiva e comercial da empresa no curto e médio prazo».
Numa altura em que a sexta geração assumiu a gestão da empresa, garantiram que tudo irão fazer «para recuperar, reinventar e dar continuidade a este legado com mais de um século».













