
Enquanto chover, Cerca continua interdita e sem avaliação de prejuízos
A visita da ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, já era para ter acontecido após a depressão Kristin, que afetou gravemente o território da região Centro, mas devido ao risco de cheia na cidade de Coimbra essa visita foi sendo adiada até ao dia de ontem. O Museu Nacional Machado de Castro foi o primeiro monumento que visitou, mas seguiu-se um périplo pela zona da Alta da cidade, como a Igreja da Sé Velha e a Cerca de Santo Agostinho, na Couraça dos Apóstolos, que colapsou no fim de semana passado, a 7 de fevereiro.
«Há a necessidade de se retirar uma quantidade enorme de terra e pedra, mas tem de ser feito em segurança», explicou Ana Abrunhosa, presidente da Câmara Municipal de Coimbra, em declarações aos jornalistas junto à Cerca, adiantando que só depois dessa estabilização será possível fazer uma avaliação real dos prejuízos da estrutura. Atualmente, a Universidade de Coimbra e o IteCons está a «monitorizar o local com marcadores e caso haja algum desvio» as autoridades são alertadas, de imediato.
Sob a alçada da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra, a Cerca de Santo Agostinho não apresentava qualquer sinal que poderia ceder, contudo, por consequência de semanas de forte precipitação, os muros de contenção não aguentaram e colapsaram.
«Havia projetos para recuperar e requalificar esta zona, entretanto com esta tempestade é que houve um acelerar da queda de alguns muros que, por sua vez, levaram à queda dos outros muros para a rua debaixo», adiantou Tiago Mariz, provedor da Misericórdia.
Com a melhoria das condições do tempo será possível começar os trabalhos na Cerca de Santo Agostinho
A queda da Cerca acabou por obrigar ao fecho a Rua da Fonte e, por uma questão de precaução foi necessário encerrar temporariamente o Mercado Municipal D. Pedro V.
Após a visita até à Cerca de Santo Agostinho, a ministra da Cultura deixou claro que «o compromisso do Governo com a cultura é total». Apesar de não ter adiantando quais seriam os apoios dirigidos a este monumento, Margarida Balseiro Lopes salientou a criação de um procedimento extraordinário de um milhão de euros para apoiar os museus, a nível nacional, que tenham sido afetados pelas intempéries.

Museu Machado de Castro avança com obra de reparação de 200 mil euros
A Depressão Kristin afetou o Museu Nacional Machado de Castro que acabou por ter algumas chapas de revestimento e telhas a voarem na madrugada de 28 de janeiro e, por isso, irá avançar uma empreitada de requalificação no valor de 200 mil euros, adiantou a diretora do museu, Sandra Saldanha, em declarações aos jornalistas, após a visita da ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes a Coimbra.
«Não vamos fazer mais um trabalho de cosmética, vamos fazer um trabalho estruturante e que vai ficar para o futuro», disse a responsável por este espaço cultural. «Não é uma reparação pontual de consolidação de duas ou três das chapas que caíram no contexto destas tempestades, mas é a consciência de que há aqui um trabalho estrutural que é preciso ser feito», acrescentou.
Uma vez que as chapas de revestimento não estavam contempladas na obra de requalificação que está a decorrer desde 2025 e financiada pelo PRR, Sandra Saldanha espera que o processo de adjudicação desta reparação seja um «processo célere», uma vez que se trataram de danos provocados pela tempestade.
Desde meados de 2025, o museu está a ser alvo de uma intervenção profunda e, por isso, terá que encerrar a partir de segunda-feira, dia 23, para que avance a intervenção dos pavimentos interiores.
Sé Velha poderá ser alvo de intervenção
A ministra da Cultura anunciou ainda que o Governo pretende avançar com uma empreitada para tratar de danos na Sé Velha, igualmente em Coimbra, «que não resultam apenas da tempestade de 28 de janeiro».
«Há, de facto, alguns problemas estruturais e aquilo que nós também sinalizámos, e tive sempre aqui em conversa com a senhora presidente da Câmara [de Coimbra], é aproveitar esta oportunidade para fazer uma intervenção mais profunda, para dar uma maior resiliência ao próprio edifício», que foi visitado ontem pela governante. Trata-se de uma intervenção de «pelo menos 18 meses», existindo a preocupação de manter o espaço visitável neste período.










