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Povo que sofre e se supera

Fevereiro 16, 2026 . 21:00
"O Anticiclone dos Açores abriu a porta aos “rios de tempestades”, mas as consequências vão muito para além de Portugal" | Texto de opinião de João Paulo Craveiro

A Natureza tem esta característica difícil de aceitar: por mais que o Homem a tente humanizar, há sempre momentos em que se torna demasiado difícil, ou mesmo impossível, domá-la completamente.

Sendo a minha formação de Engenharia, sei perfeitamente que toda a intervenção humana se baseia em probabilidades, não sendo possível garantir uma segurança absoluta contra as forças da Natureza.

Tenho sempre presente a explicação dada pelo Físico Richard Feynman para a tragédia do vai-vem espacial Challenger em 1986: tão simples como anéis “o-ring” terem perdido a elasticidade com a temperatura ambiente muito baixa verificada na noite anterior ao lançamento.

Isto é, mesmo nas tecnologias mais avançadas do mundo a Natureza encontra frechas por onde entra de forma subtil, mas decisiva.

De facto, ouvindo e vendo os jornalistas nestes dias de tragédias provocadas por condições meteorológicas extremas nunca sentidas entre nós, parece que a principal preocupação é encontrar responsáveis directos pela situação.

Contudo, ventos de mais de 200 Km/h ou tempestades seguidas durante várias semanas são situações a que o país não estava habituado.

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