
Dique rebentou e inundou viveiro de plantas
A Flora Atlantic Plants, uma das mais principais empresas produtoras e exportadores de plantas e árvores da região de Coimbra, ficou submersa com o rebentamento do dique dos Casais. Situada em Ribeira de Frades, com seis funcionários, tem prejuízos na ordem dos quatro milhões de euros e não sabe quando pode voltar a laborar.
A tempestade Kristin, no final de janeiro, já causara estragos consideráveis em estufas e túneis de produção. Depois vieram as chuvas intensas para dificultar e, na última quarta-feira, o infortúnio total, com o rebentamento do dique dos Casais, a cerca de meio quilómetro da empresa, deixando mais de 500 mil plantas debaixo de água.

A Flora Atlantic Plants dispõe de uma estufa de nove mil metros quadros, sete túneis com cinco mil metros quadrados e um hectare e meio de sombra (15 mil metros quadrados). Está tudo submerso e, observa Jonas Cordes, responsável da empresa, a produção de qualquer variedade leva uns seis ou sete meses, o que atira a possibilidade de nova faturação lá para outubro.
Sem esperança de recuperar quaisquer plantas dos viveiros, porque não são aquáticas e não resistem mais de um dia sem oxigénio, Jonas Cordes contabiliza pelo menos um prejuízo de três milhões de euros. Acresce a maquinaria, em que entram carros, tratores ou três máquinas de envasar (a 45 mil euros cada), além de todos os materiais necessários à produção. E aqui há a incógnita de saber se alguma máquina é recuperável, com os motores vários dias debaixo de água.
De momento, lamenta e critica a ausência de trabalhos de manutenção no Mondego e, sobretudo, que ainda não se tenha fechado o dique que rompeu, com as águas a correram livremente para os campos laterais. A empresa vende para o estrangeiro e para o país, em particular para Lisboa e para o Porto e Norte. No ano passado teve uma faturação de 350 mil euros, mas a expetativa era de chegar a um milhão de euros este ano.

Impossibilitado de cumprir os contratos de exportação e com todos os funcionários parados, com prejuízos para as famílias, o empresário já entrou em contato com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, para se inteirar de possíveis apoios. Mas depara-se também com o problema de não conseguir, de momento, precisar o valor dos prejuízos, nomeadamente no que respeita a maquinaria.











