
Proprietários pediram medidas para proteger os campos do Mondego
O problema do assoreamento dos campos do Mondego, associado às frequentes cheias do rio, motivou uma reunião no Salão Nobre da Associação Comercial e Industrial, na tarde do domingo de 20 de março de 1938, convocada pela Sindicato Agrícola da Coimbra.
No encontro, presidido pelo conde de Fijó, José Castro Falcão Corte-Real, intervieram vários proprietários de terrenos, «tendo todos pugnado para que fossem pedidas ao Governo as imediatas providências para obstar à ruína dos campos do Mondego», relatou o Diário de Coimbra na edição do dia seguinte.
O conde de Fijó propôs que fosse nomeada «uma comissão de vigilância», chefiada por José Ferreira, «um dos mais prejudicados pelo grave e complexo problema do assoreamento», o qual de imediato propôs uma moção, a entregar aos governantes do país, reclamando, entre outras medidas, a «dotação anual orçamentada de verba para o reforço das motas [diques]; o tapamento imediato do canal do Rio Velho que prejudica os campos do norte do Mondego; e o estudo imediato do leito do Rio Velho».
Os participantes aprovaram ainda a organização de «um comboio especial para os lavradores dos campos do Mondego acompanharem a Lisboa a comissão de vigilância».
«Ouvimos os oradores sobre o perigo que correm os tão belos e cantados campos do Mondego, ouvimos o que têm suportado, sem uma reclamação, os milhares de agricultores de uma região fertilíssima e a que as inundações do Mondego vêm trazendo, há anos a esta parte, prejuízos incalculáveis que se avolumaram de ano para ano, até ao ponto de tudo estar em risco de se perder: riqueza nacional, felicidade de centenas de famílias, fortunas de milhares de contos», anotou o redator que assistiu à reunião.
Dias antes (9 de março), na Assembleia Nacional, o deputado Álvaro de Freitas Morna, natural de Coimbra, alertara para o «estado do assoreamento do rio, estragos por ele produzido e a ameaça iminente da ruína para os campos de Coimbra e Figueira da Foz».
A 27 do mesmo mês, a propósito de uma conversa com o conde de Fijó, na sua “Quinta do Espinheiro”, o Diário de Coimbra escreveu que «o fértil campo do Bolão, que foi pertença dos frades crúzios, está em perigo iminente, se não forem detidas convenientemente as primeiras cheias do Mondego».
«É preciso que o Governo acuda à situação aflitiva dos lavradores, decretando imediatas providências. O Sindicato Agrícola de Coimbra, os deputados srs. comandante Freitas Morna e Moura Relvas, e o Diário de Coimbra, defendem milhares de famílias de lavradores e o património nacional, pois estão em grave risco algumas das mais sólidas fortunas do centro do país», lia-se na introdução à entrevista, na qual o conde de Fijó concretizou algumas medidas necessárias.
«É urgente tapar esse canal a que todos os lavradores atribuem, com certa razão, o último estado de coisas, a precipitação da perca dos seus campos, o descalabro a que tudo chegou. É urgente ainda, alem do tapamento do canal, levantar as motas do Rio Velho, de forma a evitar novas quebradas na estrada de Coimbra à Geria, defendendo assim o “campo”, sem prejudicar os nateiros, tão úteis a sua fertilização», defendeu, apontando, em consequência desta situação, «prejuízos incalculáveis nos campos do Choupal, da Pedrulha, da Adémia, de Antuzede, de S. João do Campo, da Geria, de S. Silvestre e de Montemor».
O jornal anunciou depois que no dia 8 de abril, quinta-feira, partiria às 6h00 para Lisboa «um comboio especial com a comissão e lavradores que a acompanham e que vão entregar uma exposição sobre tão importante assunto ao ministro da Agricultura e ao Presidente do Conselho».












