
Entreajuda entre populares na Ereira marca dias de cheia
É na cozinha da Associação Cultural, Desportiva e Social da Ereira que várias mãos voluntárias têm trabalhado para confecionar e servir quem por estes dias tem ajudado no transporte de pessoas, bens e alimentos entre Montemor-o-Velho e a pequena “ilha”, sejam os fuzileiros, bombeiros ou Proteção Civil. A comida não tem faltado e depois dos piores cenários terem sido afastados na noite de sexta-feira, o sentimento entre os populares na localidade era de algum alento para agora enfrentar mais alguns dias até o caudal do rio descer.
Rosa Bento é uma das residentes que tem contrariado a situação e todos os dias tem-se deslocado de Ereira até ao centro de Montemor-o-Velho para abrir a sua papelaria. Apesar do mau tempo, da subida do nível da água e dos constrangimentos, não larga o sorriso e a vontade de ajudar quem por estes dias tem apoiado os cerca de 600 habitantes. «Esta quinta-feira não consegui ir trabalhar porque não havia condições, mas tive que salvaguardar tudo o que tinha lá», conta, ao Diário de Coimbra. Enquanto não pode regressar ao trabalho, ajuda na cozinha, a fazer as refeições, a levantar os pratos, a pôr a mesa. Sempre de sorriso na cara. «Já que estou deste lado tenho ajudado como voluntária», disse.

A cozinheira de serviço, assim designada por Rosa Bento, é Clara Silva que tem sido «incansável» na preparação do pequeno-almoço, almoço e jantar. Em tempos de cheias e de grande preocupação, os habitantes preferem salientar o espírito de «entreajuda» e de «apoio» na comunidade. «Mesmo quem more aqui na Ereira e tenha mais dificuldades pode vir aqui comer», explicou Rosa Bento.
«As pessoas que têm casas na zona mais baixa têm passado dias muito complicados e têm andado aflitas», contava Clara Silva. Apesar da subida do nível da água que chegou às habitações, não houve a necessidade de retirar as pessoas da localidade. «As pessoas vieram para casas de familiares na zona mais alta e há casas abertas que se disponibilizaram para acolher as pessoas mais afetadas».
Ereira está isolada há duas semanas por um rio que se estendeu e inundou estradas e campos agrícolas e para lá chegar só com ajuda dos fuzileiros da Marinha Portuguesa que por estes dias têm utilizado uma lancha anfíbia para fazer o transporte.
Ontem, ao início da tarde, houve até um grupo de populares que se desafiou a fazer a travessia até à Ponte de Verride só para experimentar. «Depois de tantos dias de sobressalto também precisamos de um momento de alegria», disse uma das habitantes.











