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“Cada segundo conta” porque o seu “coração não pode parar!”

Dia Nacional do Doente Coronário é assinalado amanhã. Oportunidade para reforçar a urgência de agir perante sinais de um enfarte agudo do miocárdio e para a prevenção da doença

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte dos portugueses e o enfarte agudo do miocárdio está na linha da frente. São cerca de quatro mil mortes por ano, de acordo com a Direção Geral de Saúde, o que significa que, em média, todos os dias há 11 corações que deixam definitivamente de bater. Uma realidade dramática que urge combater, a montante e a jusante. O Dia Nacional do Doente Coronário, que amanhã se assinala, visa precisamente isso. Um alerta para a necessidade de agir de forma rápida, garantindo o socorro imediato ao doente, porque se trata de uma verdadeira emergência médica, onde “Ca­da segundo conta”. Mas também para ponderar os fatores de risco e para a adoção de hábitos de vida saudáveis.

Joana Delgado Silva, presidente da Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC) e cardiologista de intervenção da Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra, fala-nos da doença, dos problemas que lhe estão associados e sobretudo das respostas que existem e que permitem salvar vidas. «O tempo é fundamental», sublinha fazendo eco da mensagem que subjaz à campanha de alerta, “Cada segundo conta”, e à diretriz da Via Verde Coronária.

A doença não escolhe sexo nem idade, mas dá sinais. As placas de colesterol ou os coágulos vão provocando danos nas artérias coronárias, que “alimentam” o coração e a obstrução pode ser fatal. «O doente pode ter sintomas, progressivamente ou de forma aguda», explica, centrando as atenções nesta última: enfarte agudo do miocárdio, ou “ataque cardíaco”, como vulgarmente é chamado.

«É uma emergência cardíaca», esclarece a cardiologista de intervenção, que faz parte da equipa da Unidade de Intervenção Cardiovascular da ULS Coimbra. E porque “Cada segundo Conta”, Joana Delgado Silva reforça a importância de conhecer os sintomas: «Dor no peito, tipo um aperto, que pode irradiar para o braço, ombro, pescoço e costas, por vezes acompanhada de suores frios, náuseas, vómitos e dificuldade em respirar». «Um mal-estar geral» que exige ação imediata. «Quando isto acontecer, ligue imediatamente para o 112», aconselha. «Quanto mais rápida for a atuação após o início dos sintomas, maior é a probabilidade de sobrevivência e de recuperação», afirma.

A “palavra-chave” é «dor no peito», que «imediatamente ativa o alerta para possível Via Verde Coronária». A «muito boa articulação com o INEM» assegura uma resposta pronta, com a equipa a deslocar-se ao local onde se encontra o doente e a fazer um eletrocardiograma, exame que permite despistar a doença e, a confirmar-se a situação de enfarte agudo do miocárdio, «encaminhar o doente para um hospital de referência. Atualmente mais de duas dezenas de hospitais integram a Via Verde Coronária que, em articulação com os respetivos laboratórios de hemodinâmica, dão resposta. «O ideal é que o doente chegue a um laboratório de hemodinâmica em 90 minutos», adianta, assegurando que a «Via Verde Coronária funciona mui­to bem».

Unidade de Hemodinâmica

As “máquinas” e a equipa respondem céleres e salvam vidas. O primeiro passo é a realização do cateterismo, explica Joana Delgado Silva. Trata-se de introduzir um cateter – pelo braço ou virilha com anestesia local – com injeção de contraste, que percorre as coronárias para detetar a obstrução. Segue-se a angioplastia primária, para proceder à desobstrução e colocação de um “stent”, um pequeno tubo de rede metálica que mantém a artéria aberta e o restabelecimento do fluxo sanguíneo.

A nível nacional, em 2025 foram realizadas mais de 4.300 angioplastias primárias em contexto de enfarte agudo do miocárdio. Em Coimbra foram efetuadas 400.

Trata-se de uma unidade que funciona 24 sobre 24 horas, sete dias por semana, 365 dias/ano. A equipa é constituída por nove cardiologistas de intervenção, 20 enfermeiros, 10 técnicos de cardiopneumologia, sete técnicos de radiologia, sete técnicos auxiliares de saúde e três assistentes técnicos que, na secretaria, asseguram a gestão dos doentes. Cada intervenção de enfarte agudo exige uma equipa constituída por um médico, um técnico de cardiopneumologia, um técnico de radiologia e um enfermeiro.

A Unidade de Hemodinâmica dos Hospitais da Universidade de Coimbra está equipada com duas salas, o que permite, em simultâneo, responder a duas situações de enfarte agudo. «Já aconteceu», diz a cardiologista de intervenção. Há uma segunda sala de hemodinâmica no Serviço de Cirurgia Cardíaca, onde se faz a desobstrução de válvulas da aorta, e no Hospital dos Covões existe mais uma sala, equipada para resposta a enfarte agudo, serviços assegurados pela mesma equipa de profissionais. Além das situações de “emergência clínica”, o serviço dá resposta a situações menos urgentes, de doentes que podem ser assistidos no espaço de 24 horas ou doentes crónicos que ali são acompanhados.|

Fatores de risco a ter em atenção

Se não há propriamente uma “receita” que “afaste” a ameaça de “ataque cardíaco”, há todavia, um conjunto de “sinais” a que importa estar atento. A presidente da APIC refere a tensão arterial, colesterol e diabetes e alerta para a necessidade de uma alimentação saudável, prática de exercício físico, mesmo moderado, não fumar, estar atento ao stress, bem como ao histórico familiar de enfarte e doenças coronárias.

Para quem sofreu um “ataque cardíaco”, depois da alta hospitalar, «é fundamental tomar a medicação» prescrita, importante para «a pessoa voltar a ganhar mobilidade cardiovascular de forma controlada». Uma facto a que se junta um estilo de vida saudável e, naturalmente, o acompanhamento médico, pelo cardiologista e pelo médico de família.|

Via Verde Coronária 1
Fevereiro 13, 2026 . 08:00

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