
Moradores de Sobral em Soure isolados só com ajuda saem de casa
A subida do nível do caudal do rio Arunca deixou os cerca de 35 moradores da Rua da Ponte, na localidade de Sobral de Baixo, no sul do concelho de Soure, isolados, sem possibilidades de sair de casa por meios próprios e a ajuda dos bombeiros e dos fuzileiros da Marinha Portuguesa voltou a ser preciosa para quem tenta manter alguma normalidade nestes vários dias seguidos de mau tempo.
Marcelo Santiago, responsável por uma escola de dança no centro da vila de Soure, foi um dos moradores que teve de recorrer aos bombeiros para conseguir sair de casa. Com a informação de que a escola corria risco de inundação, pediu ajuda e numa viatura pesada dos Bombeiros de Soure foi transportado até à vila.
«Estamos num género de uma ilha», adiantou ao Diário de Coimbra, salientando que também a mãe, para ir trabalhar de manhã, precisou de ser transportada com recurso aos meios da corporação.
À semelhança de Marcelo e da mãe, logo pela manhã, foi necessário realizar, em segurança, o transporte de, pelo menos, uma criança para a escola, que fica a curta distância da alagada Rua da Ponte.
«Apoiamos naquilo que é possível na transição da rua até um local seguro», explicou o comandante dos Bombeiros Voluntários de Soure, João Paulo Contente, ao lembrar que no concelho encontram-se também duas equipas da Marinha Portuguesa - uma sediada no quartel e outra na Granja do Ulmeiro -, cada grupo com três botes «para o que for necessário».
Aliás, os botes da Marinha foram utilizados, por exemplo, «para fazer a transfega de pessoas da Granja do Ulmeiro para Formoselha», salientou João Paulo Contente.
Residente na rua principal do Sobral, José Guardado e a esposa são proprietários de terrenos de Sobral de Baixo, que se encontram totalmente submersos. «Há oito dias que só vemos água», comentam, enquanto visitam a zona alagada.
«Nunca vi nada assim», acrescenta a senhora, de 75 anos, ao recordar os tempos de menina, em que a subida do nível das águas até era um motivo para as crianças irem brincar. «Agora não, é impressionante», reforçou.
Segundo José Guardado, um dos problemas daquela zona está no facto de existir «apenas uma manilha para dar vazão a dois ribeiros», o que faz com que as águas recuem.
Sobral de Baixo era apenas uma das muitas preocupações no concelho. Figueiró do Campo e Granja do Ulmeiro, nomeadamente na EN347, onde há várias habitações com água, são pontos críticos.











