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Interpretar o mundo e perceber as mudanças

Dia da Sociologia alertou para a importância desta ciência, que ajuda a encontrar respostas para as grandes alterações que marcam a atualidade

Pode parecer, mas «não é conversa de café», avisou o diretor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC), ontem, na sessão de abertura da Semana da Sociologia. «Acompanhamos as pessoas, falamos com elas, somos cientistas sociais», adiantou José Manuel Mendes. Por isso «temos explicações que são fundamentais para perceber o que está a acontecer».

Especialista em Sociologia do Risco e Catástrofes, lembrou a oportunidade deste tema e garantiu que «há explicações sociológicas». «As catástrofes são reveladoras da estrutura social que temos, de formas de governação que falham ou não falham», fez notar. Mas há outros temas, como os «populismos» ou a ««democracia» e, a propósito, não deixou de referir a «lição de democracia» que Coimbra deu nas eleições presidenciais de domingo e também as «valências e os especialistas» que a escola de Coimbra tem nesta área. Uma escola «diferente», com um profundo conhecimento das «políticas públicas e da relação com a sociedade civil», salientou.

Paula Abreu, vice-presidente do CES – Centro de Estudos Sociais, apresentou este «centro de investigação de referência», com avaliação «excelente» e um caráter «diferente», «multidisciplinar», que reúne investigadores de diversas áreas, que se cruzam em projetos «relevantes em temáticas que estão na ordem do dia».

“Encontro” é o termo que define o Dia da Sociologia, evento que marca o calendário da FEUC e reúne «estudantes de diferentes anos, de diferentes cursos e também docentes», afirmou André de Brito Correia, coordenador da licenciatura em Sociologia. Um «ponto de encontro» que é, também, a «expressão simbólica» do plano do curso, que ganhou «nova dinâmica nos últimos seis anos». Um plano curricular que vai além da «sala de aulas», envolve investigação e a construção de um “portefólio” que procura abarca a academia e a cidade.

Rosa Monteiro, coordenadora do mestrado, apresentou esta oferta formativa em Sociologia, que tem acolhido «outros públicos», das áreas do Design, Ciência Política, Relações Internacionais e oferece duas vias, uma mais científica e outra mais “profissionalizante”.

Madalena Duarte, coordenadora do doutoramento em Sociologia, não tem dúvidas: «o doutoramento da FEUC é o melhor de Portugal e talvez do mundo inteiro». «Não é “fake news”», garantiu e apresentou três razões que o justificam. Em primeiro lugar, o «plano de estudos» que procura responder «aos interesses, preocupações e paixões», conjugando-as com as necessárias ferramentas científicas. Em segundo, está «um corpo docente muito qualificado, embora um bocadinho cansado, mas muito empenhado» e, em terceiro, «um grupo de estudantes excecional», rematou.

A presidente da Direção do Núcleo de Estudantes, Beatriz Ramos, apresentou o Dia da Sociologia – integrado na Semana da Sociologia, que decorre até sexta-feira - como um espaço de diálogo e reflexão em torno de temáticas «interessantes e atuais», que procuram promover «o conhecimento» e o «pensamento crítico» e comprovam que «a Sociologia é uma área cada vez mais importante e necessária na nossa sociedade».

“Democracia e Populismo” foi o tema em debate durante todo o dia, começando com a intervenção de Cristiano Gianolla, ainda de manhã. «A Sociologia é convocada a refletir sobre o que está a mudar, mas também como interpretar essa mudança e com que riscos e responsabilidades públicas», afirmou Rosa Monteiro, salientando que esta é uma linha particularmente cara à “Escola de Coimbra”. O populismo, sintetizou, é «negativo por excelência», é anti política, anti instituições, anti elites, anti ciência, anti Universidade, anti migrantes, exemplificou, e «constrói-se de um “nós” contra “eles”», numa narrativa «mobilizada pelo medo» e pelo «sentimento de perda», adiantou.

Fevereiro 11, 2026 . 08:30

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