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Casa Amarela entre as 100 obras da exposição “Habitar Portugal”

Projeto do Atelier do Corvo na exposição do Centro Cultural de Belém que revela as 100 obras mais marcantes para a arquitetura e democracia

A Casa Amarela – Escola de Talentos de Miranda do Corvo é uma das 100 obras selecionadas para integrar a exposição Habitar Portugal, que hoje é inaugurada no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, sob organização da Ordem dos Arquitetos. Uma mostra que, ainda ligada às comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, revela 100 obras que, de alguma forma, foram marcantes para a democracia em Portugal.

Situada em Miranda do Corvo, a Casa Amarela resulta da reconversão de uma antiga casa senhorial para fins culturais e educativos. O projeto foi da responsabilidade do Atelier do Corvo, dos arquitetos Carlos Antunes e Desirée Pedro, que encaram esta seleção com agradável «surpresa». «Não sabemos os critérios da seleção, mas o que nos parece mais relevante é a forma como o edifício reinventa um centro que estava um bocadinho desativado. Mais do que uma construção é um agente de criação de centralidade», comenta Carlos Antunes.

A Casa Amarela, que hoje alberga o Grupo Recreativo Mirandense (escola de música e banda filarmónica) e um Polo da Escola Artística do Conservatório de Música de Coimbra, foi adquirida pela Câmara Municipal de Miranda do Corvo e reconvertida pelo Atelier do Corvo, que dotou o edifício das condições técnicas para acolher os fins a que se destinava. A proposta da dupla de arquitetos consistiu na reabilitação dos edifícios existentes atribuindo-lhes uma nova função. As salas com dimensões distintas permitem que se adaptem a fins diversos e há ainda um espaço de jardim que, originalmente delimitado por muros, é agora um espaço aberto ao usufruto público.

«Sendo um edifício para utilização pública, sob o ponto de vista do desenho urbano, rompe os muros de uma quinta e aproxima lugares», descreve Carlos Antunes, certo que a Casa Amarela, juntamente com outros projetos da responsabilidade do Atelier do Corvo, como o Mercado Municipal, criaram uma nova centralidade na vila de Miranda do Corvo, seguramente «mais vivida». «Para nós, dimensão estética é vital, mas mais vital é que cada edifício seja mais uma transformação para lá dos muros limites do que para dentro», afirmou.

Com curadoria de Alexandra Saraiva, Célia Gomes e Rui Leão, a exposição Habitar Portugal é inaugurada hoje, às 19h00, podendo depois ser visitada de amanhã a 26 abril, entre as 10h00 e as 18h30. «Trata-se de um registo significativo e valioso que não só oferece um olhar panorâmico sobre o último quartel do século XX e o primeiro do século XXI, como também procura projetar o futuro da arquitetura contemporânea portuguesa, e consequentemente o desenvolvimento social, económico e territorial de Portugal no mundo», refere, na sua webpage, o CCB.

Fevereiro 11, 2026 . 09:22

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