
"Reduzir lista de espera" para doentes com epilepsia é objetivo do CRER em 2026
O Centro de Referência de Epilepsia Refratária (CRER) da Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra tem como objetivo para 2026 «reduzir as listas de espera» dos doentes ditos “normais” em consultas de epilepsia.
O “compromisso” para 2026 foi apresentado por Francisco Sales, neurologista responsável pelo programa, na conferência que ontem decorreu no auditório do Hospital Pediátrico de Coimbra, que serviu para assinalar o Dia Internacional da Epilepsia.
«O doente muito prioritário e o prioritário tem sido observado em tempo útil» mas com os doentes ditos “normais”, o núcleo de consultas «tem ultrapassado a linha dessa vertente assistencial». «Por isso, queremos efetuar uma boa gestão da lista de espera», afirmou o clínico.
Mas este não é o único objetivo que o CRER se propõe para o ano em curso, uma vez que, segundo Francisco Sales, existe a ambição de «manter a linha de investigação com a Faculdade de Farmácia, potenciar a linha de campanhas educativas e da linha de formação», referiu o especialista.
Relativamente à conferência, que decorreu sob o tema #Um compromisso com a Epilepsia, Francisco Sales avançou que a ideia da sua génese serviu para colocar «a epilepsia no mapa, na agenda mundial». E, para isso, diz, «há uma campanha do Dia Internacional Contra a Epilepsia em que sinalizaram uma segunda-feira de cada mês para comemorar a efeméride». Dessa forma, essa pretensão «tem sido conseguida». A diferença, assume, «é que este ano o conceito é de ação. Nos anos anteriores era algo mais descritivo. Hoje, pretendemos saber o que as pessoas pensam sobre a epilepsia, ou como é tem sido a sua vida com a doença e como é que a epilepsia tem mudado a vida de cada um. Nessa perspetiva pretendemos saber o que é que cada um vai fazer em 2026 em prol da epilepsia», explicou o neurologista.
No fundo, revela Francisco Sales, o compromisso é entendido não só individualmente mas também como grupo e como instituição. «Por exemplo, imaginemos que sou professor, e, portanto, vou na minha escola tentar fazer alguma sessão, ou iniciativa, que possa falar sobre a doença e saber a qual é a forma de atuar perante uma crise epilética. No fundo, pretende-se sensibilizar a comunidade para a epilepsia», precisou.
O número de pessoas que convivem com a doença tem vindo a aumentar ao longo dos anos e, nesse sentido, urge encontrar formas para travar esse crescimento. «A última estatística, publicada pela Liga Portuguesa Contra a Epilepsia mostra que a prevalência de epilepsia aumentou em Portugal. «Há 20 anos, 5 pessoas em 1000 tinham epilepsia e, agora, temos perto de 10 em 1000 (9,6)», recordou, sublinhando que, atualmente, «quase 100 mil pessoas em Portugal têm epilepsia».
Francisco Sales frisou igualmente a necessidade de «criar medicamentos e formas que alterem a doença em si». «As nossas drogas, os nossos medicamentos, são para controlar as crises de epilepsia, que é a principal manifestação da doença. Mas a epilepsia é mais do que ter crises», finalizou o especialista.
Na sessão de abertura da conferência estiveram ainda presentes Isabel Santana, Jorge Saraiva, Manuel Veríssimo e Natália António.










