Areaclientedc
Última Hora
Pub Dc Aecoimbra 20260528
Pub Dc Rfm Somnii 20260527
Legua Dc
Pub

Mondego baixou em Montemor mas águas poderão voltar a subir

Estação do Foja voltou a funcionar, com capacidade de bombear seis mil litros por segundo, metade da água que ali aflui a cada segundo. Situação hidrológica é hoje potencialmente perigosa

O nível da água nos campos agrícolas junto à Ereira, Montemor-o-Velho, que tem isolado aquela freguesia, baixou 5 a 6 centímetros durante a noite e manhã de ontem, mas deverá voltar a subir, disse fonte autárquica.

De acordo com o presidente da Junta da Ereira, Nelson Carvalho, «a água desceu um bocadinho, cinco, seis centímetros. É natural que ao final do dia [de ontem] possa estar igual ao que estava ontem [domingo] à noite, isto quer dizer que tivemos um dia sem subir, o que já é muito bom», evidenciou.

A subida e descida do nível de água junto à Ereira decorre do caudal do rio Mondego – que ao longo do dia de ontem foi reduzido na Ponte-Açude de Coimbra, para os 1.270 metros cúbicos por segundo (m3/s), depois de ter passado o fim de semana em níveis em redor de 1.600 m3/s – que, por sua vez, afeta diretamente a água que escoa para os campos do vale central. O Mondego descarrega até 800 m3/s para os campos agrícolas da margem direita, e esta água flui para jusante, parte da qual chegando à Ereira e zonas adjacentes a Montemor-o--Velho pelo chamado leito abandonado (9 m3/s) e vala da Ereira (3 m3/s).

O problema é que esta água corre em direção ao sistema de bombagem e comportas do Foja, o único ponto por onde poderá sair dos campos, – que também recebe água da ribeira de Foja – sem conseguir dar vazão. Assim, a água acaba por se acumular em redor, o que vem acontecendo há uma semana, levando ao isolamento da Ereira, ao corte de ruas no centro de Montemor-o-Velho e ao corte, nos dois sentidos, da autoestrada A14, entre a Figueira da Foz e Montemor-o-Velho.

Na bombagem do Foja estiveram a trabalhar técnicos da E-Redes e da papeleira Navigator – empresa privada cuja abastecimento de água do Mon­dego é fulcral para o funcionamento da unidade fabril de Lavos.

Ao fim da tarde de ontem, a Câmara de Montemor emitiu um comunicado a informar que a estação de bombagem do Foja já estava em funcionamento, após reposição da energia elétrica e sucessivas insistências do autarca José Veríssimo junto do secretário de Estado da Proteção Civil, da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e da Proteção Civil distrital e nacional.

A estação, que estava sem energia elétrica desde a depressão Kristin, pode bombear um máximo de seis mil litros por segundo, metade da água que ali aflui a cada segundo.

Numa outra nota, também divulgada ontem, o Município de Montemor-o-Velho frisou que «apesar de o nível das águas se manter, ontem, estável, a situação de risco no Vale do Mondego ainda não terminou, exigindo a continuidade de uma gestão atenta e articulada do rio e da barragem, conjugada com o regime de marés e a abertura de comportas».

Apelando a que a população continue a adotar «medidas preventivas e de autoproteção», a Câmara de Montemor diz que se mantém no concelho «um cenário de cheia lenta, planeada e controlada», numa situação que continua a definir como «exigente e complexa».

Lembra a autarquia que as previsões meteorológicas para hoje e amanhã apontam para «um período de elevada pluviosidade», não sendo possível «baixar a guarda, mantendo-se a vigilância permanente».

A APA antevia para hoje uma «situação hidrológica potencialmente perigosa» nas bacias de vários rios, com enfoque no Mondego, Tejo, Sorraia e Sado. face a períodos de chuva, por vezes forte e persistente».

A Proteção Civil repetiu alertas às populações, especialmente das zonas habitualmente inundáveis.

Fevereiro 10, 2026 . 07:20

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
95 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right