
Ereira “isolada” vota com tranquilidade e em força
Ao meio-dia de ontem já tinham votado 138 dos 524 eleitores da freguesia de Ereira. De acordo com o presidente da mesa de Assembleia de Voto e da estatística realizada de hora a hora, a afluência às urnas foi sempre maior do que no dia 18 de janeiro.
Quer isto dizer que «a preocupação com as cheias não demoveu os eleitores», a maioria dos quais, senão mesmo, a quase totalidade, já se encontrava na Ereira, portanto, para votar bastou apenas aproveitar a tranquilidade que se vive na aldeia - apesar da presença dos militares do Exército e dos Bombeiros, na parte mais baixa da localidade e do vaivém dos botes dos fuzileiros que, emhorários definidos com alguma regularidade, disponibilizados na página oficial do município, asseguram o transporte de pessoas e bens entre Ereira e Montemor-o-Velho.
No horário das 12h00, a equipa de reportagem do Diário de Coimbra encontrou Fernando, um ereirense que preferiu passar a noite de sábado para domingo em Montemor-o-Velho, devido à tempestade Marta. Por razões pessoais, estava em Montemor-o-Velho e, apercebendo-se da intensidade do vento, «não quis arriscar». Talvez, porque, como o próprio confessou, é «um homem experiente que conhece bem o rio velho», até porque a sua profissão é, exatamente, «retirar as ervas invasoras do leito do rio».
Por isso, ontem era um dos passageiros de um dos botes dos fuzileiros. Com os marinheiros Silva e Inocêncio, «a barca» fez-se ao rio e, a bordo, Fernando aproveitou para informar os militares que bem «ali mais à frente está a rampa de acesso aos barcos, mas submersa». Uma ajuda que os fuzileiros agradeceram, mas que, dada a altura da água, pouca diferença fazia, «mas é sempre um dado importante», referiu o marinheiro Silva. Um trajeto que se faz em pouco mais do que 10 minutos, para percorrer os três quilómetros de água, entre a Ponte de Alagoa, junto ao Restaurante A Moagem e a Ponte Velha, em Ereira.
Uma viagem tranquila, num percurso que não é linear, mas que exige mestria, por parte dos fuzileiros, nomeadamente para passar da zona do canal para a zona de campo, além da atenção que é preciso ter com as zonas onde há mais jacintos, onde é preciso abrandar a velocidade para que não se emaranhem na “hélice”. Registe-se que na zona dos campos agrícolas a água subiu mais de dois metros.

Transporte em segurança com os fuzileiros
Desde as 21h00 de sábado que os fuzileiros se mantêm ali, para assegurar o transporte. Nas primeiras travessias da manhã de ontem, fez-se o transporte dos trabalhadores da Estação de Bombagem de Foja e um ou outro morador em Ereira, tal como explicou o Cabo Fuzileiro Rocha ao Diário de Coimbra. Já para a viagem do meio-dia, algumas equipas de reportagem e transporte de bens de primeira necessidade, destinadas a Associação Cultural, Desportiva e Social da Ereira que, além de ser o local de concentração e de apoio à população, ontem também foi o local onde se realizou o ato eleitoral. Cada uma das viagens faz-se sempre com dois botes dos fuzileiros e um dos Bombeiros. E ainda dois bombeiros da corporação da Pampilhosa da Serra que se juntaram ao grupo de colegas para revezar as equipas.
À chegada à Ponte Velha, em Ereira, já lá estava a carrinha da associação, mais precisamente do Centro de Dia Poeta Afonso Duarte, para receber os bens alimentares. Dali até à Associação, ainda foi preciso percorrer a Rua 31 de Dezembro, que se situa na zona mais alta da aldeia, «o monte», como dizem os moradores.
À porta de uma das moradias estava Joaquim, um morador que confessou já ter votado, logo pela manhã. Por ora, entretinha-se a «observar o movimento» e elogiar «o grande auxílio» que a população tem tido por parte dos militares e bombeiros» que vão assegurando o transporte, mesmo as emergências médicas, em caso de necessidade.
Entretanto, ao final da manhã e início da tarde, com a maré baixa, já um camião da Brigada de Intervenção do Exército assegurava o percurso entre Montemor-o-Velho e Ereira, com paragem na Ponte de Verride e na ponte de Alagoa, já em Montemor-o-Velho.
A acompanhar toda a situação esteve sempre o presidente da Junta de Freguesia da Ereira, Nelson Carvalho, com ações de proximidade para com os seus munícipes.
Um pouco mais à frente, nas instalações da associação, um grupo de voluntários da referida coletividade já preparava um almoço para os bombeiros e para os militares que se encontravam de serviço junto ao Largo da Igreja. Uma grelhada mista para reconfortar os estômagos de quem tudo dá em prol da segurança das populações.
Ruas do centro da vila de Montemor inundadas
Recorde-se, que na noite de sábado, a água acumulada nos campos agrícolas do vale central do Mondego chegou ao centro de Montemor-o-Velho, cortando ou condicionando algumas ruas, nomeadamente a Rua Fernão Mendes Pinto, por onde se passava, mas com a água a «apelar» à precaução.

Chefe do Estado Maior do Exército em Montemor
O General Eduardo Mendes Ferrão, Chefe do Estado-Maior do Exército Português, esteve ontem em Montemor-o-Velho, a acompanhar a situação vivida no concelho. À chegada ao «cais» junto ao Restaurante A Moagem, o general recebeu os fuzileiros que regressavam de mais uma viagem à Ereira, a localidade que está isolada há já alguns dias, deixando palavras de reconhecimento pela sua dedicação «a mais esta missão que os militares realizam na proteção e apoio às populações, quando mais precisam». O general Mendes Ferrão cumprimentou todos os militares elogiando o seu trabalho e a sua abnegação. Ao Diário de Coimbra e num momento informal, o general Mendes Ferrão elogiou «quem faz um trabalho informativo de rigor e seriedade», referindo que os militares estão empenhados em muitas outras missões, mas sempre com a mesma dedicação».
Durante a sua presença em Montemor-o-Velho, o general Mendes Ferrão reuniu com o presidente da Câmara Municipal, José Veríssimo, e com o presidente da Assembleia Municipal, Fernando Ramos, reafirmando «a total disponibilidade do Exército para continuar a apoiar e a servir, reforçando o compromisso de cooperação institucional».
Na ocasião, José Veríssimo agradeceu o apoio que o Exército tem prestado desde a primeira hora à população, sublinhando a ligação muito próxima e permanente, particularmente neste contexto de maior exigência. O autarca destacou que a presença dos meios do Exército no terreno tem sido fundamental, seja no transporte, como na garantia da tranquilidade.|













