
População tem de se proteger porque a chuva dura até dia 15
Coimbra vai estar debaixo de chuva até dia 15 e isso trará (já traz) consequências para a saturação dos solos e a estabilidade de muros e estruturas, já para não falar do leito do rio Mondego que, ontem de manhã, de acordo com a APA, atingiu uma situação de risco em Coimbra, alcançando níveis hidrométricos e caudais históricos.
São os riscos inerentes a esta chuva constante que preocupam Ana Abrunhosa, presidente da Câmara Municipal de Coimbra que ontem, em conferência de imprensa, para fazer um ponto de situação em relação ao mau tempo, alertou a população para o risco iminente de quedas de árvores (particularmente de grande porte) ou de muros e estruturas que, se não houver o devido cuidado das populações, podem causar vítimas.
«Mantenham-se em casa, dentro do possível e acatem as indicações das autoridades», apelou a autarca.

Ana Abrunhosa falava numa conversa com jornalistas precisamente no momento em que a tempestade Marta começava a fazer-se sentir em Coimbra, com chuva muito intensa e ventos fortes.
A autarca mostrava-se particularmente preocupada com os efeitos desta depressão este fim de semana e garantia que da parte da autarquia, da Proteção Civil, das autoridades (PSP, GNR, Exército e Fuzileiros) estão todos de prevenção para responder a qualquer ocorrência (há 2.400 operacionais no terreno) mas é preciso que também a população faça a sua parte.
«Continuamos a ver as pessoas a circular em estradas cortadas, a não acatar as indicações das autoridades», lamenta Ana Abrunhosa, apelando a que as pessoas tenham cuidado e cumpram as indicações, para evitar mais danos e ocorrências.
De acordo com a autarca, e desde 27 de janeiro, foram registadas 881 ocorrências em Coimbra, na sua maioria quedas de árvores e movimentos de massas, situações que se mantêm e que causam apreensão, como aconteceu ontem com a Cerca de Santo Agostinho, na Alta ou o talude junto ao Parque de Máquinas e Oficinas (PMO) do Metro Mondego, em Sobral de Ceira, o que obrigou à interrupção da circulação.
Também estavam ontem cortadas a Estrada da Beiras, em São Furtuoso e a ligação entre Ceira e Almalaguês, no Cartaxos.
Devido à subida do leito do rio continuam ainda interditos o tabuleiro inferior do Açude-Ponte e a Estrada do Campo
E, por falar no Mondego, mantém-se, de acordo com Ana Abrunhosa, uma «monitorização constante» do seu leito, por parte da APA, mas também dos bombeiros, ainda para mais num dia como o de ontem em que o rio ultrapassou os 3,6 metros de nível hidrométrico na Ponte de Santa Clara e os 1.603 metros cúbicos por segundo a passar na Ponte do Açude.
«Não há risco zero», reforça a presidente da câmara, numa altura em que, como sublinhou, o caudal em Coimbra era de 1.600 m3 por segundo e «a Barragem da Aguieira estava com encaixe», apesar de não ser muito previsível o comportamento do rio Ceira.
A autarca voltou a sublinhar que tudo está a postos para acolher a população em caso de as cheias invadirem as casas (há sete zonas de acolhimento previstas), com a ajuda imediata, nomeadamente da Cruz Vermelha e da ULS de Coimbra.
Desde 27 de janeiro, há a contabilizar, em Coimbra, sete desalojados (em Brasfemes, Taveiro e Cernache) todos acolhidos em casa de familiares.
Ana Abrunhosa admite que possam mais pessoas ter decidido deixar as suas habitações, sem ter informado a autarquia.
Há ainda a registar a queda de 12 casas devolutas em todo o concelho, que mereceram atenção dos bombeiros.
Almalaguês é freguesia mais fustigada
Ana Abrunhosa confirmava ontem que Almalaguês é das freguesias mais fustigadas pela passagem da tempestade Kristin, havendo uma grande quantidade de habitações que perderam os seus telhados.
A autarca elogia o trabalho da junta de freguesia na colocação de lonas, com o apoio da autarquia, e pede aos moradores lesados para que façam registo dos seus prejuízos e os façam chegar ao município para se candidatarem a apoios.












