As tragédias e a aprendizagem colectiva
Passadas quase seis décadas, ainda retenho na memória a aflição da minha mãe, quando, por motivos que desconheço, me levou consigo a visitar a nossa família, do lado da minha avó Matilde, que residia e trabalhava em Cascais.
Para mim, rapazito tímido e com muito pouco mundo, foi com surpresa e satisfação que conheci esses meus primos que, então, repartiam os seus dias entre a faina pesqueira e a actividade de restauração.
Faltava quase um mês para o Inverno e, nessa sexta-feira distante e ensonada, levantámo-nos cedíssimo para apanharmos a camioneta vinda de Alenquer para Lisboa.
Já na capital, seguimos para a estação ferroviária do Cais do Sodré com destino a essa vila ligada ao mar e à captura de polvos com alcatruzes – vasos de barro semelhantes aos das noras –, bem como à pesca artesanal de robalos, sardinhas e marisco.
Esse dia (25 de Novembro de 1967) foi muito chuvoso na região, mas ninguém supunha que a forte precipitação causasse uma tal cheia no Tejo e afluentes que inundou ruas e bairros inteiros de Lisboa e arredores, sobretudo em Loures e em Oeiras.
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