
Cenário continua difícil mas locais tentam ver “o melhor lado possível"
Um plano traçado para o pior dos cenários pode ter sido o segredo para “aguentar” uma (quase) calamidade. José Veríssimo, presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, admitiu ontem estar «muito preocupado» com a situação, mas referiu que, neste momento, ainda não há perigo de vida para a população.
«O meu estado de espírito é de muita preocupação. Foi o mesmo de todos estes dias». Em momento de análise, quase comparativa com 2001, o presidente sublinhou que os esforços preparados para esta cheia tiveram uma vantagem: tempo. «Fomos avisados com alguma antecedência e isso permitiu à população prepara-se de melhor forma. Não se compara com 2001, pelo menos não neste momento. Aprendemos desde essa altura e quando traçámos o nosso plano, preparámos o pior, que ainda não aconteceu e esperamos que não venha a acontecer» ressalvou José Veríssimo.
Para os habitantes da Ereira, esta é uma «situação angustiante», porque o risco de a cheia aumentar mantém-se, mas neste momento os trabalho efetuados garantem «uma gestão correta e segura» do caudal do rio.

Mesmo com muito trabalho a nível local, foi enviada uma equipa de proteção civil para o Vale de Santarém, em Santarém, localidade do centro do país que também se encontra num momento delicado. «O Vale de Santarém precisou de ajuda e nós enviámos uma equipa, mas está pronta para regressar aqui caso seja necessário» alertou o presidente.
Nos próximos dias, José Veríssimo espera ser possível «controlar melhor o encaixe» de água, de modo a garantir que o leito de cheia não aumenta e atinge outros locais.
Já a sofrer com a subida do leito, para além da Ereira, estão as vias que conectam a União de Freguesias de Abrunheiro, Verride e Vila Nova da Barca, nomeadamente a ligação entre a Estrada Municipal 601, a Ponte de Verride e a Ponte de Alagoas. Para realizar a travessia nestes locais, o exército e os bombeiros encontram-se em circuito, de 30 em 30 minutos (ou quando existe um número suficiente que motive a travessia) com começo às 7h00.
“O meu estado de espírito é de muita preocupação. Estamos a trabalhar pelo melhor e todos estão em segurança”
Também em Montemor-o-Velho, em Meãs, a derrocada de quinta-feira já se encontra controlada, após causar alguns danos na via (maioritariamente sujidade devido à lama), mas na povoação vizinha de Lavariz a queda de um muro acabou por obrigar a encerrar uma via de trânsito. «O muro caiu por causa do vento e do peso da terra com água. A proteção civil sugeriu retirar o muro e um pouco da terra para fazer uma “rampa” e impedir um deslizamento e nós aceitámos», conta Ricardo Travassos, dono da propriedade onde ocorreu o desmoronamento.
Em Montemor-o-Velho, a água galgou margens em vários pontos centrais, mas não houve danos graves, um lado positivo no meio dos negativos. A população, porém, continua a agir com precaução e, para quem vive em zonas de risco, prevenir continua a ser o melhor a fazer.
Hoje prevê-se que a chuva e vento agravem, com a passagem da depressão Marta, a terceira nas últimas semanas, depois de Kristin e Leonardo.

“Barragem de Girabolhos tem de acontecer”
Mesmo com os trabalhos a serem realizados de forma a impedir consequências piores, o caudal do rio continua a ser um risco, tanto para os próximos dias, como para cheias futuras. De modo a controlar os caudais e a pressão da água, há alterações que podem vir a acontecer, graças ao trabalho conjunto entre o município de Montemor-o-Velho e a APA (Agência Portuguesa do Ambiente), mas o foco «tem de continuar a ser Girabolhos». A necessidade de avançar com o concurso para construir a barragem foi uma indicação da ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, que vai beneficiar a bacia do Mondego.












