
Utentes APCC são “artistas e merecem inclusão artística”
“Quantos mundos se abrem quando olhamos a realidade através da criação artística?”. É esta a pergunta que extrapola a exposição coletiva mais recente da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC), na Casa da Mutualidade.
É com um conjunto de pinturas e esculturas que os utentes da APCC, mais uma vez, mostram um dos seus vários talentos. Com a inclusão no horizonte, cada oportunidade de desvendar o seu trabalho ao público é agarrada da melhor forma. Porém, até ao momento, apenas a Casa da Mutualidade tem tido a sorte e o privilégio de ser “montra” para estes artistas.
«Ainda só conseguimos expor nesta sala de exposições, mas o objetivo, claro, será chegar a outros patamares porque a qualidade dos nossos utentes é notória», ressalva Paulo Ferreira que, em conjunto com Suzete Azevedo, coordena o grupo de artes plásticas da APCC. O acompanhamento, individualizado e regular, permite que estas exposições sejam feitas de forma «relativamente regular», prova da qualidade dos artistas.
Apesar da grande capacidade artística, um dos pontos fulcrais desta exposição passa por apresentar um argumento complexo: a criação de círculos artísticos apenas para pessoas com deficiência sob o “mote” de inclusão, acaba por excluir.
«Os nossos utentes têm uma capacidade de ver o mundo, de praticar a arte, única. É preciso começar a incluir as pessoas com deficiências nos círculos de arte “normais” para que exista uma inclusão completa, porque desta forma é só mais um exemplo, diluído de exclusão», refere.
Em representação da associação, Mário Veríssimo relembrou que a APCC trabalha para garantir uma «inclusão social» e que existe um «compromisso» para com os seus utentes e a comunidade. «A condição de cada um é de uma importância significativa, não é de todo uma incapacidade, mas sim uma motivação para se esforçar e ultrapassar limites», os quais tanto a APCC como A Previdência Portuguesa (parceira da associação) trabalham diariamente para conseguir.
Ainda em sessão de inauguração da mostra, Alexandra Raud, monitora dos utentes que trabalham no café da Casa da Mutualidade, foi homenageada, através da oferta de um dos quadros da exposição que, no final da mesma (dia 27 de fevereiro), poderá ser levado para casa pela monitora. Até ao dia 27 será possível visitar o espaço todos os dias úteis, entre as 10h00 e as 18h00. Todas as obras estão disponíveis para compra, existindo, também, um leilão no dia 14 de fevereiro.











