
“Semente de Investigação” promete “colheita de excelência”
A investigação na Universidade de Coimbra (UC) está viva e “recomenda-se”. Os prémios “Projetos Semente de Investigação Interdisciplinar” são disso exemplo. Uma iniciativa da UC, com o apoio da Fundação Santander, que apoia projetos com potencial de desenvolvimento em áreas «estratégicas». Os premiados da sétima edição do programa foram conhecidos ontem e cada projeto recebeu 20 mil euros. Um incentivo financeiro para alimentar o génio académico. Uma cerimónia realizada na Sala do Senado, o que só de per si ilustra a relevância que a Universidade confere atualmente à investigação.
«Temos excelentes indicadores», afirmou ao Diário de Coimbra o reitor, Amílcar Falcão, que elegeu a investigação como um dos “pilares estratégicos da Universidade” e tem vindo a promover essa aposta. «Acho que vou deixar esse legado», diz ainda, adiantando que, «este ano, quando os resultados forem conhecidos, vai haver surpresas». Positivas, naturalmente, para a UC e para os seus centros de investigação.
“Todos os projetos são muito bons e extremamente ambiciosos”, elogiou Ramalho-Santos
Os prémios “Projetos Semente de Investigação Interdisciplinar” representam uma dessas linhas de incentivo, assente em cinco áreas estratégicas. Este ano, as candidaturas foram particularmente férteis e muito embora só um projeto seja premiado em cada área, “nada se perde”. «Por vezes aparecem projetos que são bons e que ficam logo sob o nosso “radar”», disse o reitor, sublinhando que esta é uma das formas de a UC «fazer o seu “scouting” interno», que permite colocar o foco sobre esses projetos emergentes, assegurar o seu acompanhamento, nomeadamente ao nível técnico, científico e de financiamento. Segundo o reitor, já aconteceu projetos não “ganhadores” serem vencedores noutros enquadramentos.
Assumidamente satisfeito estava o vice-reitor para a Investigação, João Ramalho-Santos, que enalteceu a qualidade e inovação que definem a investigação feita sob chancela da UC, a Universidade que «ganha mais dinheiro da Europa», disse o também diretor do Instituto de Investigação Interdisciplinar.
Relativamente aos projetos premiados, admitiu uma «escolha difícil», tendo em conta a qualidade das candidaturas. «São extraordinários», «extremamente ambiciosos» e sobre «temas muito atuais», adiantou. «Mais a propósito é difícil», disse, referindo-se ao “Urgent”, um modelo computacional para projetar sistemas de drenagem mais eficazes, gerir o risco de inundação e impactos das cheias. «Este projeto tem um impacto brutal», salientou.
Ramalho-Santos referiu o recurso à Inteligência Artificial, aplicada no tratamento da epilepsia (projeto Epi-Soul) e apontou a originalidade do projeto que apresenta as lulas da Antártica como «indicadores as alterações climáticas» (projeto Beats) outro tópico «muito interessante». «Vou passar a ver as lulas com outros olhos», brincou o vice-reitor, que confessou a sua surpresa com o projeto “Ligold”, que propõe «criar riqueza a partir dos resíduos de papel e eletrónica», com a recuperação de carvão ativado e de ouro. «Uma ideia genial!, classificou. Para o vice-reitor, no “top” está o projeto “SuPrir”. «É o mais ambicioso de todos. Na verdade, é aquele que tenta influenciar as políticas públicas à volta da ciência. Boa sorte para ele. Não vai ser fácil, mas é um trabalho que é preciso fazer», rematou João Ramalho-Santos.
Os cinco projetos vencedores
Na sétima edição, o programa “Projetos Sementes de Investigação Interdisciplinar” premiou os projetos Epi-Soul (Saúde), liderado por Daniela Jardim Pereira, do Instituto de Imagem Biomédica e Investigação Translacional de Coimbra; URGENT (Clima, Energia e Mobilidade), que tem como investigador principal Ricardo Mendes Martins, do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente; BEATS (Recursos Naturais, Agroalimentar e Ambiente), liderado por Catarina Soares Silva, do Centro de Ecologia Funcional; Ligold (Digital, Indústria e Espaço), liderado por Manorma Sharma, do Centro de Engenharia Química e Recursos Renováveis para a Sustentabilidade; e SuPriR, que tem como investigador principal Thomas Feliciani, do Centro de Neurociências e Biologia Celular,











