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Rastreio oncológico ganha nova resposta

Projeto europeu visa a criação de uma aplicação móvel. Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra é um dos parceiros

O objetivo é aumentar a participação nos rastreios de cancro por parte de pessoas em situação de vulnerabilidade, garantindo maior equidade no acesso à saúde e à prevenção da doença oncológica. Em causa está o desenvolvimento de uma aplicação móvel (app), no quadro de um projeto europeu que envolve a Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Coimbra (ESEUC), com o foco nos cancro da mama, colo do útero, pulmão e estômago.

Pretende-se ajudar «pessoas elegíveis para rastreio oncológico» a conhecerem todos «os passos do processo, desde o convite inicial até eventuais exames adicionais», para poderem decidir melhor, explica Filipa Ventura.

De acordo com a docente da ESEUC, especialista em Enfermagem Oncológica, a aplicação «dirige-se a grupos em situação de vulnerabilidade, que tipicamente ficam fora destes programas», designadamente pessoas «com dificuldades económicas, menor literacia em saúde, fragilidade social (idosos e sem-abrigo) ou que enfrentam barreiras linguísticas e culturais». Nesse sentido, a app pretende disponibilizar informação em «linguagem simples, com mensagens curtas e visuais de apoio», adaptadas culturalmente e em várias línguas, «explicando o que é o rastreio, a quem se destina, quais os benefícios e possíveis riscos/limitações, e o que acontece a seguir», adianta Filipa Ventura, citada numa nota da ESEUC.

Segundo a docente, a aplicação, cocriada com cidadãos, profissionais de saúde e investigadores, representa, ainda, «um apoio à decisão, ajudando cada pessoa a escolher de forma informada, alinhada com os seus valores e preferências».

Pensada para funcionar em ligação com os serviços de saúde e percursos já existentes, no contexto nacional a app vai ser desenvolvida «em articulação com a Unidade Local de Saúde de Coimbra, a Liga Portuguesa Contra o Cancro – Núcleo Regional do Centro e o National Center Hub, com perspetivas de integração no SNS, através dos Serviços Partilhados do Ministério da Saú­de», esclarece a nota.

O projeto “INSIDERS: Envolvimento de Pessoa Vulnerável no Rastreio Oncológico” não parte «do digital só por si, mas de um desenho inclusivo e cocriado, orientado para reduzir barreiras», salienta Filipa Ventura, o que passa por promover a «equidade em saúde digital». Por outro lado, o objetivo é que a aplicação «complemente e reforce os canais existentes, em contexto de articulação com serviços e parceiros comunitários, permitindo formas de apoio no terreno», facto «particularmente importante para migrantes, sem-abrigo ou com acesso irregular a smartphone/dados», refere a docente.

O projeto é coordenado pela Amsterdam University Medical Centers (Holanda) e envolve, além da ESEUC, a RCSI University of Medicine & Health Sciences (Irlanda) e a empresa Canary Technology Innovations (Roménia). A desenvolver até 2028, é cofinanciado por fundos europeus. A ESEUC beneficia de um apoio de 127.600 euros, para um investimento de 150.120 euros.

Fevereiro 4, 2026 . 12:00

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