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Moradores das Meirinhas criticam atitude do Governo

Primeiro-ministro visitou um reservatório de águas e uma empresa de plásticos num dos territórios mais afetados pelo mau tempo que assolou Portugal

A visita de Luís Montenegro a um reservatório de águas e uma empresa de plásticos em Pombal que sofreram danos em consequência da passagem da depressão Kristin é aplaudida por uns, mas criticada por outros, nomeadamente, por moradores das localidades que foram bastante fustigadas pelo mau tempo.

Nas Meirinhas, concelho de Pombal, Alzira Ruivo era o espelho do desespero após ter visto a passagem da depressão Kristin destruir-lhe uma grande parte do que construiu ao longo da sua vida com o seu marido. A moradora criticou o facto de os governantes andarem a “passear” pelas zonas afetadas pela tempestade em vez de priorizarem a ajuda às famílias. «Vêm para aqui em bando, todos, em vez de trazer material para ajudar as pessoas. Tenho um irmão em Lisboa que veio no domingo de propósito para trazer um gerador. Isso é que eles haviam de trazer, para ajudar as pessoas, ou mesmo trazer pessoal», frisou.

«Tenho quatro netos em casa e já nem tenho quartos para eles. É triste uma coisa destas. E estas pessoas em vez de trazer material para ajudar as pessoas andam a passear», acusa, sublinhando «sentir-se abandonada».

A moradora ainda não tem eletricidade, apenas um gerador que ajuda a manter a arca da carne. «Porque com quatro netos, o meu irmão veio de Lisboa para trazer algumas coisas», disse, acrescentando: «deviam era mandar pessoal de onde não houve tanta destruição, porque existe para aí muita gente sem trabalhar».

Alzira Ruivo
Alzira Ruivo não tem eletricidade e diz temer o regresso da chuva

Montenegro promete acelerar trabalhos

No périplo que fez no reservatório e equipamento eletromecânico das Ranhas (Outeiro da Ranha) e na empresa Motassis Plásticos SA, o primeiro-ministro ouviu as preocupações dos responsáveis e explicou os apoios que o Governo aprovou e que estão no terreno dentro em breve. No reservatório, a vice-presidente da Câmara de Pombal, Isabel Marto, adiantou que precisava de 90 pessoas para o sistema funcionar sem falhas, tendo-lhe sido enviados 15 militares. «É preciso 90 pessoas para trabalhar em turnos de 30 para assim conseguirmos ultrapassar os problemas», explicou a autarca.

Já no final da visita à Motassis Plásticos SA, onde Luís Montenegro viu a destruição provocada pelo mau tempo, ouviu ainda queixas de um popular que criticou dezenas de bombeiros «a passear pela cidade» de Pombal, enquanto muitas pessoas continuam sem rede elétrica.

O presidente da Junta de Meirinhas ainda tentou impedir o homem de chegar à fala com Luís Montenegro, mas sem sucesso. O popular lamentou a falta de apoio do Governo e queixou-se que são precisos funcionários da REN no terreno.

«Eu vim hoje (ontem) de Pombal, tudo tem corrente elétrica. Sabe o que é que eu vi lá em Pombal? Gente que não precisamos, uns 30 carros de bombeiros a passear na cidade - não se admite. Fui à Guia, vi os mesmos bombeiros lá a tirar fotografias e a consolarem-se lá no bem bom. Não precisamos aqui dos bombeiros, precisamos de gente da REN para que realmente faça o serviço. É a terra mais desprezada que há, é esta aqui», precisou. «Vamos trabalhar nisso», prometeu Luís Montenegro.

Apoios explicados

O primeiro-ministro, acompanhado pelo ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, do presidente da Estrutura de Missão para Reconstrução da Região Centro do País, Paulo Fernandes, e do secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, explicou igualmente o pacote de medidas já aprovado pelo Governo no domingo, que inclui apoios para famílias, empresas e para a reconstrução.

Questionado se não é possível outra solução para que as pessoas tenham água – no dia em que passa uma semana da passagem da tempestade -, o governante referiu que tudo está a ser feito para que «esses problemas sejam resolvidos mais rapidamente».

«Estamos a reforçar as equipas que os municípios têm e que estão a fazer um trabalho absolutamente excecional com a capacidade que temos no Estado, nomeadamente também nas Forças Armadas, ainda não a ponto de poder cobrir exatamente as solicitações que são feitas, na dimensão que são feitas, mas estamos a trabalhar nisso», disse Luís Montenegro.

Relativamente a se não deveria ter incluído nesta deslocação ao terreno visitas a populações que estão sem casas, o chefe do Governo contrapôs que «vários membros» do executivo «estão e têm estado junto dessas pessoas». «Mas estamos sobretudo empenhados em dar resposta, dar soluções», finalizou.

Fevereiro 4, 2026 . 08:00

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