
Adesão esmagadora ao voto antecipado em Coimbra
Desde 1986, entre Mário Soares e Diogo Freitas do Amaral, que uma segunda volta não acontecia nas Eleições Presidenciais portuguesas. Agora, 40 anos depois, os portugueses escolheram António José Seguro e André Ventura como os candidatos “prediletos” a suceder no cargo a Marcelo Rebelo de Sousa.
O primeiro dia de fevereiro contabilizou cerca de 309 mil inscritos para o voto antecipado, mais 90 mil do que na primeira volta. Em Coimbra, o número foi de 8.987 inscritos, mais 2 mil que na primeira volta e a adesão ao voto foi esmagadora. Segundo relatos de alguns votantes, a espera para exercer o direito de voto chegou a alcançar os 45 minutos, o que prova o interesse redobrado em participar nesta decisão. Em Coimbra votou 89% da população inscrita.
«Claro que vim votar! Tive a sorte de escolher um candidato que passou à segunda volta, tenho de manter a minha “palavra”, por assim dizer» confidenciou ao nosso jornal um votante, que preferiu não deixar o seu nome. Já por outro lado, António Manuel Ferreira admite que quem queria «ficou pelo caminho», mas votar é «um dever» a que «não se falta».
Pela Escola Secundária Avelar Brotero passaram muitas pessoas que preferiram não comentar o porquê de «fazerem o esforço», como muitos mencionaram, de vir votar. Leonel Antunes, de 35 anos, falou um pouco sobre uma motivação que o faz «sair do conforto» para ir às urnas. «Acho que muitas pessoas se esqueceram do que o meu pai, o meu avô, e muitos outros pelo país fora, contavam quando éramos crianças. Lembro-me do meu pai me contar que ia para a escola “levar réguadas” em vez de aprender. É preciso lutar para não voltar a isso». Mesmo sem concordar com todos o «rumo», comenta que é melhor «viver aos poucos» do que «ser obrigado a não viver».
Tanto Leonel como António foram votar antecipadamente porque o trabalho “sobrepôs-se” ao dia de voto. Por outro lado, Mafalda Inácio, de 21 anos, antecipou o voto por estar «longe de casa» no próximo domingo, e antecipa que «votar é a solução para combater medidas extremistas», que escalam na atualidade.
Dúvidas sobre voto
Com apenas dois nomes nos boletins de voto, a decisão torna-se menos complexa, mas o próprio voto ainda causa algumas dúvidas. Pelos corredores da escola, um jovem com cerca de 25 anos, admitiu junto do nosso jornal vir votar por «medo da multa», alertando que «votar é obrigatório». Apesar da sua importância, o voto é um dever cívico e um direito de nível pessoal, ou seja, não existe uma sanção para quem decida não participar nas votações.











