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“Podemos viver momentos que não registávamos há décadas”

Proteção Civil e municípios alertam populações do Baixo Mondego para o risco de cheias e inundações nos próximos dias. “Sabemos que não há risco zero”, adianta Carlos Luís Tavares

Toda a região do Baixo Mondego está de prevenção para as previsíveis cheias que podem afetar as zonas mais vulneráveis já a partir desta noite com as previsões meteorológicas a apontarem para chuva intensa. «Podemos viver momentos que não registávamos há décadas», alertou a presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, numa conferência de imprensa conjunta com a Proteção Civil e os autarcas dos municípios de Soure, Montemor-o-Velho e Figueira da Foz.
Depois de dias de «cheias controladas» e descargas da Barragem da Aguieira «para amortecer a precipitação prevista», sempre com a supervisão da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), entre hoje à noite e amanhã há um primeiro pico de chuva intensa que pode obrigar à evacuação de povoações, alertam os responsáveis.
«É importante que as zonas vulneráveis possam estar a contar com subida das águas», para que, «de forma preventiva, ninguém sofra consequências», alertou Carlos Luís Tavares, comandante sub-regional da Proteção Civil, destacando as zonas mais vulneráveis dos municípios do Baixo Mondego.
Em Coimbra, a atenção deve ser redobrada no Cabouco, no Parque Verde do Mondego, Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, mas também a jusante do açude-ponte, nomeadamente na Ribeira de Frades, Casais ou Vila Pouca do Campo.

"É preferível sair de casa e deixar danificar um bem do que perder a vida"

No concelho de Soure, há alerta de cheias para a vila, Granja do Ulmeiro, Marachão, Casal de São Pedro e Figueiró do Campo, enquanto em Montemor-o-Velho, as atenções estão concentradas no Marujal, Caixeira, Vila Nova da Barca, Verride, Casal Novo do Rio, a vila, mas também Carapinheira, Meãs do Campo e Tentúgal. Na Figueira da Foz, é a zona de Lares que pode ser afetada pela subida do nível das águas.
«Nós estamos preocupados com a pressão que o Rio Mondego vai ter. Sabemos que não há risco zero e, portanto, todas as pessoas que residem em zonas vulneráveis, junto às margens esquerda ou direita do Rio Mondego têm que estar de sobreaviso e preparadas para que a cheia possa afetá-los, reforçou Carlos Luís Tavares. O que devem fazer é «proteger os seus bens, desligar a luz e o gás, caso a água entre dentro de casa», não atravessar zonas de risco. «É preferível sair de casa e deixar danificar um bem do que perder a vida», reforçou, ao lembrar que as equipas de proteção civil estão a trabalhar «na prevenção e na preparação» num cenário de grande pressão do rio. O que se pede é que as pessoas estejam atentas e obedeçam sempre às orientações dos meios no terreno, porque «nada justifica perder a vida», conclui.

Marinha enviou 24 fuzileiros e seis botes

Chegaram ontem a Coimbra 24 fuzileiros e seis botes da Marinha Portuguesa para apoiar as operações no Baixo Mondego, caso se verifiquem os cenários de cheia, tendo em conta a precipitação intensa
prevista para toda a semana. Destes seis botes, dois vão para Coimbra, dois para Montemor e dois para Soure.
Disponíveis estão ainda barcos e motas de água da região de Aveiro e dispositivos de Viseu, que vêm reforçar os meios pertencente à região de Coimbra: 17 embarcações, nomeadamente motas de água e barcos.

Fevereiro 1, 2026 . 07:30

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