
Marcelo pede comissão para avaliar depressão Kristin
O Presidente da República defendeu a criação de uma comissão técnica independente para fazer uma avaliação da passagem da depressão Kristin. Assim, terminado o «período crítico de resposta», Marcelo Rebelo de Sousa considera que deve ser implementada uma comissão - envolvendo não só Governo e Assembleia da República, mas também independentes - uma vez que a Natureza se tem apresentado como um «desafio novo» para a sociedade.
«Foi o que aconteceu na altura dos incêndios, para todos os partidos participarem, para haver uma avaliação que não é meramente técnica do funcionamento de um sistema, mas é de avaliação e preparação para o futuro», justificou afirmando que «estamos todos a aprender». Por isso, «prevenir antes de reagir» foi a principal mensagem que o Chefe de Estado deixou ontem durante a sua passagem pela Figueira da Foz, um dos concelhos da região mais afetados pela intempérie da passada madrugada de 28 de janeiro.
A visita de Marcelo Rebelo de Sousa, que se fez acompanhar pelo secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, teve início no Parque de Campismo Municipal, espaço que se encontra temporariamente encerrado devido aos constrangimentos causados pela depressão Kristin. Várias árvores de grandes dimensões foram arrancadas pela raiz, impedindo a circulação em segurança no parque, além de ainda terem atingido algumas infraestruturas do campismo.
"Temos de preparar, antecipar, para logo que haja um alerta poder agir", reforçou Marcelo Rebelo de Sousa
O presidente da Câmara da Figueira da Foz, acompanhado por todo o executivo municipal, explicou ao Presidente da República o que aconteceu durante a tempestade, descrevendo o momento como um «fenómeno estranho». No entanto, Pedro Santana Lopes fez questão de salientar a atuação da Proteção Civil na Figueira como «impecável e incansável».
Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou a ocasião para indicar que o «empenhamento das Forças Armadas vai crescendo à medida das necessidades», adiantando, assim, vários números e locais onde estes meios estão a ser empenhados, como os concelhos de Ferreira do Zêzere, Alvaiázere e Coimbra. Entretanto, alertou que «zonas mais baixas podem vir a sofrer consequências a partir do começo da próxima semana», já que a próxima «preocupação» das populações se prende com o risco de inundações para os próximos dias. Defendendo «uma estratégia de prevenção», o Chefe de Estado pediu: «temos de preparar, antecipar, para logo que haja um alerta poder agir».
Presidente “surpreendido”
Além do parque de campismo, Marcelo Rebelo de Sousa visitou a Rua do Pinhal, onde se situa o edifício da antiga Universidade Internacional da Figueira da Foz, que estava a ser reconvertido para centro de formação do IEFP e que sofreu danos elevados com o telhado a voar e a deixar um rasto de destruição em carros e habitações. Seguiu-se uma passagem pelo Campus da Universidade de Coimbra, situada uns metros mais abaixo e onde também se verificaram queda de árvores de grande porte, tal como no Centro de Artes e Espetáculos.
Já na visita à Zona Industrial da Gala, mais concretamente à empresa de derivados de resina United Resins, que viu metade do seu armazém e 80% do seu parque fotovoltaico destruídos, o Presidente da República mostrou-se «surpreendido» com o que presenciou como resultado de meia-hora de «rajadas fulminantes». «Mesmo com as maiores prevenções, mesmo com a maior capacidade de preparação para fatores naturais… é um fenómeno que tem que ser estudado», rematou.











