Sete dias por semana
1 Kristin. Uma tempestade como há muito não se via em Portugal deixou um tremendo rasto de destruição, especialmente nas regiões de Coimbra e Leiria. Há mortos a lamentar, muitas casas sem telhado ou mesmo destruídas e imensas empresas sem conseguir laborar. Já para não falar dos muitos espaços públicos destruídos. A força dos ventos não deu tréguas e revelou muitas fragilidades que ainda temos no território, como é o caso da rede elétrica que não está enterrada apesar das muitas promessas em sentido contrário. Ainda é cedo para balanços, mas estamos a falar de uma devastação como não se via há muitos, muitos anos.
2 Governo. Perante toda esta destruição, tem o Governo a obrigação (guerras políticas à parte) de socorrer os milhares de lesados. E isso tem de ser feito com toda a celeridade, de modo a que se impeça o encerramento de muitas empresas que tão cedo não vão conseguir voltar a produzir. Luís Montenegro e a sua equipa têm feito “bandeira” do combate à burocracia e da coesão territorial. Têm agora uma oportunidade para passar da teoria à prática, evitando processos – como aconteceu noutras situações similares – em que apesar das prontas promessas, a chegada ao terreno de qualquer ajuda foi sucessivamente adiada. Sabemos bem que uma tragédia como esta em Lisboa e Porto teria levado a uma reação diferente mas ainda se vai a tempo de (tentar) mostrar que somos um país coeso.
3 Alertas. Um dos pontos positivos (há sempre lições a tirar mesmo das tragédias) desta tempestade prendeu-se com o sistema de alerta que avisou a população de modo a que se tomassem medidas preventivas. Acredito que se isso não tivesse sido feito ainda estávamos a falar de mais prejuízos e também acredito que muitos fizeram os chamados “ouvidos de mercador” desvalorizando o alerta. Porque se há situações que eram de todo inevitáveis, outras (como os carros estacionados junto a árvores, por exemplo) teriam sido evitadas caso os muitos avisos da Proteção Civil fossem seguidos.
4 Explosão. Esta foi, sem qualquer dúvida, uma semana que fica na história da cidade por maus motivos. Uma explosão num apartamento no Vale das Flores provocou um tremendo susto naquela zona central de Coimbra. As imagens que fomos divulgando online revelavam um cenário raramente visto numa cidade e será justo dizer que se a explosão tivesse ocorrido duas horas antes (aconteceu por volta das 10h30 quando a maioria das pessoas já está nas escolas e trabalho) o balanço seria outro. Mesmo assim, há a registar um ferido muito grave. Tendo em conta o alarme (e a boataria) que este tipo de situações gera, devem as conclusões da investigação ser devidamente divulgadas.
5 Presidenciais. E com todas estas ocorrências, a campanha para a segunda volta das eleições presidenciais não teve a atenção que seria de esperar e o único debate entre Seguro e Ventura, nas vésperas da tempestade, nada trouxe de novo. Como era de esperar, sucedem-se os apoios da Direita (de Cavaco Silva a Paulo Portas, passando por José Miguel Júdice ou Ramalho Eanes), ao candidato socialista, dando argumentos ao líder do Chega para manter a sua narrativa “anti-sistema”. Nada de novo, portanto e António José Seguro será, seguramente, o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa.
6 Desporto. Já desportivamente falando, foi uma semana positiva. No Andebol, Portugal conseguiu um histórico quinto lugar no Campeonato da Europa (depois de vencerem a Dinamarca parece pouco mas não é) e no Europeu de Futsal a primeira fase foi 100% vitoriosa de uma equipa, bicampeã, que luta pelo primeiro lugar. No futebol, foi uma semana épica com as classificações de Sporting, Benfica (mágico, o golo do guarda-redes Trubin nos descontos frente aos galáticos do Real Madrid), FC Porto e Braga nas respetivas provas europeias.
7 Académica. A Briosa, numa partida “a feijões”, perdeu nas Caldas da Rainha na última jornada da primeira fase da Liga 3 e já ficou a conhecer o calendário para a fase de todos os sonhos. O primeiro jogo é já na sexta-feira frente ao Guimarães B. Esta semana ainda, em entrevista ao Diário de Coimbra – a primeira desde que o apuramento foi garantido – Joaquim Reis faz um primeiro balanço destes seis meses à frente da Académica abordando os vários dossiês que tem em mãos. O líder da Briosa garante que a equipa vai entrar em campo para lutar pela subida, destaca o apoio à instituição do tecido económico da região e da atual presidente de Câmara de Coimbra e assume que, em sua opinião, a derrota de José Manuel Silva, em outubro, não pode ser dissociada da polémica em torno da gestão do Estádio Cidade de Coimbra. Quem se mete com a Briosa…








