
Colégio das Artes foi evacuado e fica encerrado por tempo indeterminado
«É um momento trágico da história do Departamento de Arquitetura». O diretor Luís Miguel Correia era, ontem, o rosto da desolação pela interdição do Colégio das Artes, após o encerramento do edifício, depois de terem sido identificados diversos problemas na estrutura que colocavam em risco a segurança de alunos, professores e funcionários.
Bruno Serra, chefe dos Bombeiros Sapadores de Coimbra, adiantou ao Diário de Coimbra que, ontem de manhã, foi dado um alerta, via Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil, para «a queda de estruturas no Colégio das Artes».
«Quando chegámos ao local, deparámo-nos com o edifício, parcialmente, evacuado. Avaliámos condições de segurança, há muitas infiltrações de água, queda de elementos de estrutura», pelo que foi decidido fazer a evacuação total», explicou, realçando que compete, agora, à Proteção Civil Municipal fazer a avaliação das condições de segurança do edifício, que ficou interdito «a qualquer pessoa», sustentou.
Quando o Diário de Coimbra chegou ao local, os alunos não poupavam esforços para retirar das salas os trabalhos que seriam sujeitos a avaliação por estes dias. Aliás, os alertas para a evacuação começaram a ser divulgadas entre a comunidade estudantil a partir das 20h00 de quarta-feira, depois de terem caído várias telhas e de a cobertura ter ficado «à mostra», explica Matilde Tavares, salientando que se sabia que «era muito grande» a probabilidade de se criarem bolsas de água.
«Estou no meu 4.º ano e desde que entrei tem havido muitos sinais de queda. Aliás, no meu 1.º ano caiu uma parte da cobertura num dos corredores principais», adiantou a presidente do Núcleo de Estudantes de Arquitetura da Associação Académica de Coimbra, dando conta de que ontem de manhã já caía água em trabalhos finais de estudantes.
«Está um projeto em curso e, supostamente, as obras estariam para começar, mas não foi cedo o suficiente. As salas têm vindo a verter água, o teto tem vindo a cair, o chão não tem suporte...Sabíamos que, em tempo de tempestade, iria agravar», acrescentou Matilde Tavares.
No local esteve também a mãe de uma finalista do 5.º ano do Mestrado de Arquitetura, que era, literalmente, «a voz da revolta».
«É uma vergonha. É muito dinheiro, muitas horas de esforço dos alunos, muito sofrimento para chegarem a uma altura destas...é revoltante. Era impossível chegar a este ponto», reforçou.
«As instalações são um elemento muito frágil da nossa vida. É um edifício que tem sobrevivido connosco cá dentro», desabafou o diretor do departamento, dando conta do que classifica como «uma fatalidade anunciada».
«Preocupei-me a fechar os departamentos, a chamar a Proteção Civil por nos sentirmos completamente abandonados. Ao contrário de outras intervenções anteriores em que no próprio dia vieram colocar as telhas e salvaguardou-se bastante. Desta vez, nada foi feito», lamentou Luís Miguel Correia, ao frisar que nalgumas salas chovia «como na rua».
«O edifício está massacrado, saturado de água por todo o lado», disse, ao referir que «o drama maior» tinha acabado de acontecer quando o docente Francisco Portugal entrou em paragem cardiorrespiratória, acabando por falecer.
A acompanhar as operações esteve o vice-reitor Alfredo Dias, que sublinhou que «será garantida a segurança de todos os utilizadores» e todos os esforços serão feitos para não prejudicar os alunos nas atividades letivas.











