
Chuva arrasta toneladas de lenha da serra ardida da Lousã
O presidente da Câmara Municipal da Lousã começa por dizer que no meio da catástrofe que toda a região enfrenta por causa da passagem da depressão Kristin, a Lousã assume alguma especificidade em relação aos outros municípios porque foi vítima dos incêndios de agosto de 2025 e agora enfrenta consequências ainda mais gravosas por causa da tempestade. «Por causa dos incêndios, as serras perderam propriedades e capacidade para reter a água da chuva que, por isso, veio por aí abaixo trazendo consigo restos de madeira, troncos, entupindo taludes e pontes», descreveu Vítor Carvalho que, sobre a situação do concelho, lhe ocorria dizer «está todo inundado».
«Já retirámos toneladas de lenha», afirmou o autarca, referindo a panóplia de maquinaria que trazia no terreno em trabalhos de limpeza que pareciam não ter fim.
«Temos todas as freguesias com inundações», relatou o autarca, explicando ainda que os diques estavam «completamente destruídos» e os «canais entupidos».
O dia de ontem foi de limpeza que hoje continuará, contudo, Vítor Carvalho acredita que a maior parte da lenha e detritos arrastados das encostas da serra ardida já terão sido removidos.
Permanecem, contudo, outros danos que a passagem da Kristin provocou no concelho, nomeadamente a obstrução de estradas. Ao dia de ontem o autarca reconheceu que a grande maioria das estradas que tinha sido afetada pela tempestade já estavam abertas à circulação, embora algumas ainda de forma condicionada, no entanto havia ainda aldeias na serra totalmente isoladas. Vale Pereira da Serra, de acordo com o autarca, era a situação mais crítica, mas também Mingachos, em Foz de Arouce, permanecia isolada. «São aldeias com poucos residentes que estão inacessíveis. As pessoas deslocam-se a pé e têm de ter o carro fora da aldeia ou ter alguém que as vá buscar», reconheceu.












