
Vereadora alerta para ruído de campos de padel no Polo II
O executivo municipal aprovou, na última reunião camarária, a emissão de parecer prévio não vinculativo favorável à construção de um novo equipamento desportivo no Polo II da Universidade de Coimbra (UC), projeto que inclui instalação de seis campos de padel, zonas verdes, percursos pedonais e infraestruturas de apoio.
A decisão contou com a abstenção dos cinco vereadores da coligação Juntos Somos Coimbra, após alertas de eventual incompatibilidade entre o ruído previsto e o desenvolvimento de atividades académicas e científicas.
Ana Bastos, vereadora e professora da FCTUC (unidade que ocupa o Polo II), deixaria o «lamento» por estarem a decidir um parecer sem documentos que deixem perceber a qualidade da solução e, sobretudo, «uma preocupação», com «a banalização da instalação de campos de padel sem qualquer consideração séria pelas implicações acústicas e ambientais».
Seis campos de padel dentro de um campus universitário, «frontais a salas de aula» e contíguos a uma residência universitária, encerram «riscos graves de poluição sonora e incompatibilidade urbanística que contrariam o Regulamento Geral do Ruído», alertou.
«Diversos estudos realizados em Portugal e noutros países europeus, nomeadamente em Espanha e Itália, demonstram que o ruído medido em campos de padel regista níveis médios de 70-90 decibéis e picos acima de 100 decibéis», disse Ana Bastos.
As normas de ruídos exteriores para zonas sensíveis, junto de escolas e habitações, «apontam (…) para limites de 45–50 decibéis», vincou, considerando que os campos de padel serão incompatíveis «com o correto desenvolvimento de atividades académicas, científicas e com o descanso dos estudantes ali residentes».
Ao reportar para decisões judiciais que condenaram, em Portugal, instalações semelhantes por violação de direitos de personalidade, com ruído causador de ansiedade e distúrbios do sono, Ana Bastos sugeriu que o parecer da Câmara fosse favorável, mas condicionado à apresentação de um estudo de ruído detalhado, identificando medidas mitigadoras realistas e adequadas ao local..
Para a vereadora Maria Lencastre, independente após desvinculação do Chega, «o Polo II tem sido descurado nos últimos anos e necessita de movimento, de espaços de lazer».
Ana Abrunhosa manteve a proposta sem alterações, porque, disse a presidente da Câmara, não se pode «transformar um instrumento jurídico naquilo que não é». Lembrou que «estes projetos, hoje em dia, têm de ter análise acústica» e deixou a certeza de que os serviços municipais farão o respetivo acompanhamento.











