
Figueira é principal vítima da onda destruidora da Kristin
Nove pessoas de quatro famílias, residentes em três freguesias do município da Figueira da Foz, ficaram desalojadas devido à depressão Kristin e vão ser alojadas pela Câmara Municipal. Os nove desalojados pertencem a quatro agregados familiares, um da freguesia de Alqueidão, dois da freguesia urbana de São Julião e outro da freguesia de Buarcos.
Em declarações à agência Lusa, a vereadora com o pelouro da ação social, Olga Brás, explicou que todas as situações identificadas estão a ser acompanhadas pelo município, que irá proceder ao realojamento das nove pessoas.
Ao nível das infraestruturas e equipamentos, a roda gigante, um dos símbolos recentes da Praia da Claridade, localizado na Parque das Gaivotas, caiu durante a madrugada. Não houve feridos, mas o impacto foi enorme, tendo em conta a dimensão da estrutura.
Nas proximidades, registaram-se montras totalmente destruídas, estruturas partidas e espalhadas pela rua, misturadas com troncos de árvores que também caíram e que se juntaram numa amálgama de “destroços” provocados pela tempestade. Verificaram-se quedas de árvores, de sinais de trânsito e de infraestruturas em várias zonas da cidade, mas também em várias freguesias. Os danos mais visíveis são a roda gigante e os campos de Padel e do Golf Driving Range, em Buarcos.
A Figueira da Foz foi, em toda a região de Coimbra, um dos concelhos mais fustigados, com danos avultados e muito trabalho pela frente.
Também nos próximos dias vão ser realizadas as cirurgias que estavam marcadas para ontem no Hospital Distrital da Figueira da Foz e que, devido aos estragos junto do bloco operatório, tiveram de ser adiadas. Os estragos foram, essencialmente, muitos vidros partidos em várias áreas do edifício. A presidente do Conselho de Administração da ULS do Baixo Mondego, Ana Raquel Santos, esclareceu que o hospital «foi muito afetado» e que uma das principais áreas com condicionamentos era no corredor de acesso ao bloco operatório, «que foi totalmente destruído». Hoje, ao que tudo indica, a normalidade será reposta. «O principal impacto que os utentes estão a sentir é mesmo a inoperacionalidade do bloco operatório», vincou Ana Raquel Santos, informando que foram adiadas 15 cirurgias de diversas especialidades cirúrgicas, com exceção da oftalmologia que não foi afetada. «Garantimos o acesso a cirurgias urgentes, não para cirurgias programadas», realçou, informando que o serviço de urgência da unidade hospitalar continuava «perfeitamente operacional».
A situação não afetou os doentes internados na unidade de saúde, que foram salvaguardados dos efeitos do temporal. Ainda assim, a tempestade foi bem sentida, conforme relatou Sónia Campelo Pereira, diretora clínica da unidade de saúde. «Alguns doentes assustaram-se bastante» tendo em conta a força do vento e o barulho que este provocou.

Antiga Universidade e PSP com danos avultados
Junto das antigas instalações da Universidade Internacional da Figueira os bombeiros trabalhavam por forma a limpar os destroços do telhado que caiu para rua e atingiu cinco automóveis, três dos quais ficaram destruídos. A força do vento levou ainda que parte do telhado voasse contra os edifícios do outro lado da rua e partisse janelas, vidros, portas e provocasse danos nas telhas de três casas. A remoção dos escombros estava a ser feita, para que os automóveis pudessem ser levados pelos reboques. A antiga Universidade estava em obras para acolher as futuras instalações do IEFP.
Hoje e nos próximos dias é tempo de fazer contas e somar todos os prejuízos. E disso mesmo deu conta André Rasteiro, subcomissário da PSP e comandante da Esquadra da Figueira da Foz, cujas instalações são contíguas com as da antiga universidade. «Nas nossas instalações tivemos danos significativos ao nível do telhado e houve uma parte que acabou por ficar destruída. Ainda estão a ser feitas diligências no sentido de apurar todos os danos no edifício e já há pessoal a trabalhar no sentido de encontrar soluções para os estragos», declarou.
Devido à depressão, encerraram as escolas Dr. João de Barros, nas Abadias, e Infante D. Pedro, em Buarcos.

Região Metropolitana pede apoio do Governo
Em todos os municípios da Região Metropolitana de Coimbra (RMC), sem exceção, a depressão Kristin deixou a sua marca. Num balanço, ainda que provisório e em constante atualização sobre as consequências do mau tempo, a RMC frisa que foram registadas «centenas» de ocorrências em todos os municípios, sendo, nos casos mais graves, necessário ativar nove planos municipais de emergência e proteção civil - Coimbra, Condeixa-a-Nova, Figueira da Foz, Lousã, Mira, Miranda do Corvo, Pampilhosa da Serra, Penela e Soure – além do Plano Distrital de Emergência e Proteção Civil.
«Até ao momento, não há registo de qualquer vítima na nossa área de jurisdição», referiu a RMC em comunicado, onde expressa a sua «total solidariedade para com os municípios e populações afetadas».
Entre serviços e escolas, a RMC referiu e existência de inúmeras freguesias sem energia elétrica e o encerramento de estabelecimentos de ensino em 10 municípios, além de diversos serviços públicos sem condições de funcionamento.
«Perante a gravidade dos factos, a RMC reforça o pedido da Associação Nacional de Municípios Portugueses e solicita ao Governo a célere averiguação dos prejuízos e o posterior apoio para a resolução dos danos causados», apela a RMC.
Municípios fazem contas
Ao longo do dia, os municípios foram fazendo contas aos estragos e dando nota dos balanços, ainda provisórios, provocados pela passagem da depressão Kristin.
Na Mealhada, ao final do dia, todas as vias estavam abertas, mas a Mata do Bussaco mantinha-se interdita. Neste concelho, na vila de Luso, um homem, de 91 anos, ficou desalojado «depois de uma árvore de grande porte ter rachado a casa ao meio», revelou o presidente da Câmara, António Jorge Franco. «É uma situação que lamentamos, mas disponibilizamos um local para o senhor pernoitar e temos, neste momento, uma equipa técnica da Proteção Civil a avaliar o estado da habitação», declarou.
Em Soure, hoje as escolas ainda não vão abrir e os danos por todo o concelho, segundo o presidente da Câmara Municipal, Rui Fernandes, não estão fáceis de combater. «O Município está a fazer tudo ao seu alcance para assegurar o restabelecimento dos serviços básicos, mas a dimensão dos estragos ultrapassa a nossa capacidade de resposta», afirmou o autarca.
Na localidade de Paredes, concelho de Penacova, o telhado de uma casa foi danificado e os dois moradores foram acompanhados pelos serviços municipais de Ação Social.
A presidente da Câmara Municipal de Condeixa, Liliana Pimentel, deu conta de 158 ocorrências em Condeixa, das quais 44 foram resolvidas até às 17h00 de ontem. A energia elétrica foi restabelecida apenas no centro urbano. As escolas da vila foram encerradas, sendo que hoje irão abrir o Centro Educativo e a Escola Básica n.º1.
Na Lousã as aulas também foram canceladas e, se a queda de árvores e danos em infraestruturas no município não fossem suficientes, também a ação da Metro Mondego se viu obrigada a ficar travada por queda de árvores nas vias especiais do metrobus, tendo ficado o serviço parado durante todo o dia, prevendo-se a reposição gradual das linhas durante o dia de hoje. Esta situação afetou também Miranda do Corvo e Coimbra, os outros dois municípios servidos pelo Sistema de Mobilidade do Mondego.
A Câmara de Mira contabilizou 25 ocorrências. Parte do município esteve sem energia e sem meios de comunicação. «O nosso trabalho foi desobstruir as vias», disse o presidente Artur Fresco.
Em Penela, o presidente Eduardo Nogueira dos Santos dava nota dos estragos em edifícios municipais, nos bombeiros voluntários, em casas, escolas e empresas.
A torre de emissão da rádio MundialFm foi derrubada em Vila Nova de Poiares e a Escola Básica e Secundária Dr. Daniel de Matos sofreu danos consideráveis, com as aulas a retomarem hoje parcialmente.
No Município de Montemor-o-Velho foram registadas cerca de 70 ocorrências e ao final do dia parte do concelho continuava sem eletricidade, em particular as freguesias de Arazede, Liceia, Pereira, Abrunheira, Verride e Vila Nova da Barca. Relativamente aos equipamentos municipais, registam-se danos em particular no Centro Náutico de Montemor-o-Velho, que permanece encerrado.
No total, em Oliveira do Hospital foram contabilizadas cerca de 30 ocorrências, a maioria resolvida. De acordo com o presidente José Francisco Rolo, existiu um caso sinalizado em Nogueirinha, onde a violência das chuvas provocou entrada de água numa habitação.












