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Cargueiro aguardava ontem por rebocador norueguês

Ainda sem destino definido, devido à forte agitação marítima, navio de carga Eikborg navegava a cerca de 44 quilómetros da costa portuguesa enquanto esperava por auxílio

A Autoridade Marítima Nacional informou, em comunicado, que já estava requisitado o rebocador que iria auxiliar o cargueiro Eikborg, devendo este chegar junto da embarcação avariada por volta das 23h00 de ontem, após diligências por parte do agente de navegação e do armador. Por sua vez, o comandante da Capitania da Figueira da Foz, em declarações aos jornalistas, revelou que o rebocador em causa é norueguês e que vem do Mar do Norte. Já quanto ao porto de destino, Salvado Pires disse que ainda não estava definido. «Essa situação está em fase de avaliação», comentou o comandante, justificando com as alterações das condições do mar durante o dia de ontem.
«O navio continua em situação estável, a navegar a uma velocidade reduzida, é certo, a cerca de dois nós, mas, dentro das circunstâncias, está a navegar com normalidade», garantiu Salvado Pires, acrescentando que a «tripulação está em segurança» e que «não há registo de anomalias adicionais».
Recorde-se que o navio de carga oriundo dos Países Baixos reportou, pelas 8h20 de segunda-feira, uma limitação na porta do leme à saída da barra da Figueira da Foz. Ou seja, o facto de o barco de 89 metros de comprimento não conseguir alterar o rumo com facilidade, visto que o leme terá ficado «trancado sensivelmente a meio», levou a que ficasse a navegar durante dois dias ao largo da costa litoral à espera de ajuda.
De acordo ainda com o comunicado da Autoridade Marítima, o cargueiro encontrava-se ontem a 22 milhas náuticas da costa portuguesa.

Falta de rebocadores contraria vocação marítima

O vice-presidente da comunidade portuária da Figueira da Foz, Paulo Mariano, disse, a propósito, que a falta de uma rede de rebocadores de salvamento e emergência em Portugal, ao contrário do que sucede em Espanha, contraria a vocação marítima do país.
Em declarações à agência Lusa, Paulo Mariano defendeu que um país «que se diz “atlantista”» devia possuir rebocadores de salvamento estatais.

Governo pede análise

O governo revelou ontem que pediu à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e ao Porto da Figueira da Foz uma análise de uma eventual relação entre movimentos de areia e o acidente ocorrido com o cargueiro Eikborg.
Pedimos um estudo, externo ou interno, para analisar o impacto dos movimentos de areia, para ajudar a detetar a origem do acidente e prevenir acidentes futuros, disse a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, numa audição na comissão parlamentar de Ambiente e Energia, durante a qual disse não crer que as obras de injeção de areia possam estar relacionadas com o acidente.

Comunidade portuária e APA com versões contraditórias

Paulo Mariano, vice-presidente da comunidade portuária da Figueira da Foz, adiantou que o cargueiro terá batido no fundo do canal de navegação quando saía da barra, devido à acumulação de areias naquele local, provocando a avaria.
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) afirmou que associar o assoreamento da barra do porto às dragagens da obra de transposição de três milhões de metros cúbicos de areias é pura especulação. «Qualquer associação entre um possível assoreamento da barra e as dragagens efetuadas a norte do respetivo molhe é, além de injustificada, puramente especulativa», observou a APA.

Janeiro 28, 2026 . 09:55

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