
Transição energética em Coimbra é meta a cumprir
No Dia Internacional da Energia Limpa, que se assinalou ontem, a Câmara Municipal de Coimbra promoveu uma “Conversa sobre… Energia Sustentável” no Salão Nobre dos Paços do Concelho. Miguel Antunes, vice-presidente da autarquia, explicou que a sessão «marca o início de um ciclo de encontros dedicados a temas estruturais para a cidade, instituições e sobretudo para as pessoas».
A iniciativa dividiu-se em três painéis. O primeiro debruçou--se sobre a “Rede elétrica e mercados como base da energia limpa urbana”, contando com as participações de Pedro Carreira da E-REDES, Ricardo Nunes, da OMIP - Operador do Mercado Ibérico de Energia, e Paulo Nogueira, da ADENE – Agência para a Energia.
O vereador da Câmara de Coimbra sublinhou que este tema tem «impacto direto na economia, no ambiente, na justiça social e na forma como se prepara Coimbra para o futuro». Nesse sentido, considerou que o município tem de «trabalhar para alinhar as políticas públicas, a inovação tecnológica e o conhecimento científico com os objetivos da transição energética».
Durante o painel, Pedro Carreira relembrou que «a rede elétrica já existe mas tem de ser cuidada e atualizada». Acrescentou que «as primeiras leis de eletrificação do país são de 1940, quando a rede elétrica tinha um propósito de levar o conforto que a rede elétrica dá às populações», porém atualmente «a rede tem um contexto completamente diferente, com a função de levar e trazer eletricidade».
É preciso “algo mais” do que gerir ativos como fez o iParque, defende vice-presidente da Câmara
Ricardo Nunes complementou a intervenção de Pedro Carreira explicando que «o consumidor hoje em dia está no centro do setor de energia, o que resulta num novo paradigma desafiante». O representante do OMIP esclareceu que no passado havia dois pilares muito importantes que cada decisor político tinha de avaliar sobre a energia. «O primeiro pilar era a sustentabilidade financeira e o outro era a segurança de abastecimento», declarou, frisando que «a segurança de abastecimento é uma coisa que todos temos em casa e nas empresas, sendo o simples ato de carregar num interruptor e a luz acender».
No novo paradigma há dois novos pilares. Um deles é a «sustentabilidade ambiental e o quarto é a independência energética, que significa os países, as regiões, as cidades, as empresas e as pessoas serem independentes em termos energéticos», acrescentou Ricardo Nunes.
Porém, para o representante da OMIP «a forma como se olha para estes pilares altera-
-se dependendo do evento». «Dois exemplos disso são a invasão da Ucrânia, onde a independência energética subiu para o topo das quatro prioridades, e o apagão vivido em abril de 2025, quando nos meses seguintes a prioridade máxima tornou-se a segurança de abastecimento».











