
Gabriel Santos é tenente, general e padre em ópera do Teatro São Carlos
Por influência dos pais, Gabriel Santos ingressou no Conservatório de Música de Coimbra com apenas 10 anos para aprender piano. Mas aquilo que ele dava como certo mudou quando lhe propuseram, ainda no Conservatório, que também estudasse canto. «Não sabia o que era o canto, fui ao sabor da maré», conta Gabriel Santos, hoje ator e cantor lírico de 32 anos, ao recordar os primeiros anos dedicados à música e que o conduziram às produções do Teatro Nacional de São Carlos, da Casa da Música do Porto e de muitas salas do estrangeiro onde atua. O seu ponto de partida é, contudo, sempre o mesmo: Cantanhede, a terra Natal, o local onde tudo começa sempre.
Atualmente, Gabriel Santos faz parte do elenco do espetáculo “Johnny Johnson”, de Kurt Weill, uma produção do Teatro Nacional de São Carlos que tem estado em itinerância por várias localidades. «O São Carlos é o único teatro que se consagra só à ópera em Portugal, é o grande palco em Portugal para quem estuda ópera», começa por afirmar, para demonstrar o quanto é importante para si esta participação em “Johnny Johnson”, que aconteceu com «grande surpresa» sua. «Já tinha feito um recital a solo de canto e piano com o maestro. Quando ele começou a trabalhar nesta peça pensou logo em mim para estas personagens», recorda, demonstrando a «grande alegria» sentida quando recebeu o convite.
Artista de várias paragens
Em “Johnny Johnson”, Gabriel Santos é tenente de West Point, major general belga e um padre americano. Três personagens, uma só peça, sem sair do palco. «Um grande desafio», confidencia o jovem, explicando que o espetáculo – uma sátira mordaz ao absurdo da guerra, que faz estreia absoluta em Portugal – é composto por nove solistas que interpretam 22 personagens, sem nunca saírem de palco. «Estamos sempre em cena, sempre a mudar de personagem diante dos espectadores. Estamos sempre com a mesma roupa – preto – porque o que nos é exigido é que a ação dramática vá mudando», conta o jovem, sobre um espetáculo que define como «antiguerra, satírico, irónico e humorístico».
Depois de uma itinerância por várias salas do país, o espetáculo «há-de prosseguir por outras paragens». Mas para trás, na vida artística de Gabriel Santos estão muitas outras “paragens”. «A partir do momento que comecei a estudar canto encontrei na música um sentido para a minha vida artística», conta, recordando o início, no Conservatório de Música de Coimbra, a que se seguiu a licenciatura em canto na Escola Superior de Música do Porto, uma escola especial que lhe permitiu o primeiro contacto com o teatro, fazendo esta ligação entre o canto e a representação. No Porto, acabou por integrar a companhia “Ópera isto”, de espetáculos de ópera pensados para crianças, que serve o serviço educativo da Casa da Música do Porto.
Seguiu-se uma nova etapa, o mestrado que fez em Geneve, na Suíça, onde aperfeiçoou o canto. Entretanto, foram-se multiplicando os projetos em que participa: desde o coro da Casa da Música a participações em espetáculos por vários países da Europa, desde a Suíça a França.
Vida itinerante a partir de Cantanhede
Cantanhede «é a minha terra», afirma Gabriel Santos, admitindo que leva «uma vida itinerante», mas não larga a origem, quer esteja a desenvolver algum projeto na Casa da Música no Porto ou numa qualquer cidade da Europa. «Cantanhede é onde cresci, onde resido», diz ainda, explicando que é na sua cidade que tem uma pequena escola de música, dedicada ao canto, ao piano e a outros instrumentos.












