
Cargueiro “à deriva” por avaria no leme
O cargueiro Ekborg, oriundo dos Países Baixos e com destino à Alemanha, reportou ontem de manhã, pelas 8h20, uma limitação na porta do leme à saída da barra da Figueira da Foz. O facto de não conseguir alterar o rumo com facilidade, visto que o leme terá ficado «trancado sensivelmente a meio», levou a que a embarcação ficasse a navegar ao longo do dia, a cerca de sete milhas da costa, à espera de um rebocador que o levasse a bom porto. Apesar da avaria do leme e das condições climatéricas adversas, o comandante da Capitania da Figueira da Foz garantiu que o barco nunca esteve em perigo.
«O navio está neste momento [16h00 de ontem] numa situação estável e não oferece qualquer risco. Está a navegar com um rumo de sudoeste, a uma velocidade de dois nós e a afastar-se da linha de costa, conforme foi determinado pela Capitania», afirmou Paulo Salvado Pires, em declarações aos jornalistas, explicando ainda que aquela embarcação dispõe de uma hélice de proa, o que lhe permitirá a alteração de rumo em caso de necessidade devido à agitação marítima, e, por isso, rejeitando a afirmação de que estava sem rumo ou à deriva.
«Neste momento estão a ser desenvolvidos contactos por parte do agente e do armador, acompanhados de uma forma muito estreita por parte da autoridade marítima e do Centro de Busca e Salvamento da Marinha. Até ao momento ainda não se conseguiu requisitar um serviço de reboque com capacidade para realizar este serviço, por isso, estamos a aguardar informações para ver se ainda durante o dia de hoje [ontem] se consegue contratualizar um serviço de reboque», indicou Salvado Pires, referindo que o rebocador poderá ser proveniente de Lisboa ou de Espanha e esperando que a situação fique resolvido até ao final do dia de hoje.
Navio terá batido no fundo do canal de navegação
O cargueiro Ekborg, com 89 metros de comprimento, seguia com seis tripulantes a bordo e transportava três toneladas de papel, carga proveniente da celulose Celbi, do Grupo Altri, quando detetou a anomalia no leme à saída do porto comercial da cidade. Enquanto o comandante disse ainda não ter sido apurada a origem da avaria na embarcação, por sua vez, o vice-presidente da comunidade portuária da Figueira da Foz indicou, em declarações à comunicação social, que o navio terá batido no fundo do canal de navegação devido à acumulação de areias à entrada da barra.
«Gastaram-se 28 milhões de euros numa dragagem brutal de areia para pôr na zona sul e, segundo sabemos, essa dragagem foi executava com base num estudo de há 10 anos feito pela Universidade de Aveiro. Se calhar, o estudo está completamente obsoleto», criticou Paulo Mariano, em declarações aos jornalistas, apontando o assoreamento da barra como um problema com várias consequências.
«Quando nós esperávamos que tínhamos aqui quatro ou cinco anos com uma barra capaz para termos até navios maiores, porque há outra obra aqui no canal em simultâneo a ser desenvolvida, muitas entidades dizem que essa dragagem foi mal feita. Ficámos com uma barra intransitável», afirmou o responsável, dando conta que com a ocorrência de ontem havia navios «presos» dentro do Porto da Figueira da Foz, enquanto outros procediam às suas descargas no Porto de Aveiro, uma vez que o da Figueira estava fechado.
«E todos os carregadores que movimentam aqui dois milhões de toneladas por ano vão ter que desviar as suas cargas para Leixões, Aveiro, Lisboa e Setúbal. Portanto, isto é uma tragédia que está a acontecer em termos económicos para a economia nacional», lamentou Paulo Mariano.
Recorde-se que também o presidente do Município da Figueira da Foz, Pedro Santana Lopes, manifestou, na última reunião de câmara, a sua preocupação quanto à baixa navegabilidade no porto marítimo.
Deputados do PS questionam ministra
Os deputados do PS eleitos pelo Círculo Eleitoral de Coimbra questionam o Governo sobre as causas do incidente com o navio de carga que ficou à deriva à entrada da barra e exigem medidas urgentes que reponham a atividade do porto. Numa pergunta dirigida à ministra do Ambiente e Energia, os deputados Pedro Delgado Alves, Rosa Isabel Cruz e Pedro Coimbra querem saber de que forma está o Governo a acompanhar a situação, que medidas estão a ser implementadas para evitar que o navio naufrague e se está garantida a segurança ambiental em caso de naufrágio ou derrame de combustível.











