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Liberdade contemporânea está “sob condição” diz Paz Ferreira

A atribuição do Prémio Justiça e Liberdade a Eduardo Paz Ferreira, que nas edições futuras terá o seu nome, foi uma das novidades do 89.º aniversário do Instituto Miguel Torga

“Ser livre significa viver sob instituições que resistem à tentação do controlo e conviver com as novas tecnologias que trazem grandes progressos para o mundo mas que ao mesmo tempo apresentam o risco de substituir decisões humanas por decisões de máquinas e de condicionar arbitrariamente o mundo, criando padrões e determinando as condições das escolhas individuais». As palavras de Eduardo Paz Ferreira proferidas este sábado na cerimónia comemorativa do 89.º aniversário do Instituto Superior Miguel Torga (ISMT) deixaram, em quem as ouviu, a convicção de que a atribuição do seu nome ao “Prémio Justiça e Liberdade” em edições futuras, não poderia ser mais acertada.

O jurista e professor catedrático jubilado da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa é, nas palavras do presidente desta instituição de ensino superior de Coimbra, «uma personalidade que dispensa apresentações», notabilizando-se desde os tempos de estudante no combate pela liberdade», valor que, a par da justiça social, faz parte da sua identidade, garantiu Manuel Castelo Branco, com Miguel Fonseca, do Conselho de Direção do ISMT, a deixar a garantia que «este prémio representará o compromisso total do Instituto Superior Miguel Torga com o rigor, a independência intelectual e a intervenção cívica responsável».

Defendendo que «não há justiça sem liberdade», Paz Ferreira centrou o seu discurso na inovação tecnológica, colocando em cima da mesa a questão que têm despoletado diversas reflexões: “Será a inovação tecnológica o fator que mais influenciará a transformação das liberdades num tempo em que os Estados são incapazes de tirar da inovação o melhor que ela pode dar e se apagam progressivamente perante esse poder tecnológico?”. O professor catedrático jubilado que «iniciou a sua vida pública no jornalismo, com uma defesa clara da liberdade de expressão», defende que a «tecnologia deve servir a liberdade humana, a justiça e democracia e não subjugá-las», ou seja, «o desenvolvimento tecnológico deve assegurar a autonomia, a liberdade e a justiça social». Concluiu a sua intervenção, justificando a escolha deste tema por entender que «ainda vamos a tempo de agir para evitar, como disse o Papa Francisco, que os algoritmos determinem o sentido da vida humana» e que «as nossas liberdades sejam sacrificadas, desagregando as sociedades atraídas pelo “canto de sereia” da modernidade».

Formar pessoas e não recursos humanos

89 º Aniversário Ismtorga Fig 62

«O Instituto Superior Miguel Torga soube transformar-se sem perder o seu eixo moral» sendo que o seu passado «não é um peso, é um critério», defendeu o presidente da Associação de Estudantes. É«no patamar do sentido e cultura que devemos pensar» no ISMT, disse Rui Morais, uma vez que soube diversificar «sem perder a sua essência: formar pessoas para cuidar de pessoas». Isso mesmo reconheceu Miguel Antunes, vice-presidente da Câmara de Coimbra, ao evidenciar o «a visão e compromisso em formar pessoas e não recursos humanos». |

O ISMT é “uma escola que incomoda”

P3 2 Texto 89 º Aniversário Ismtorga Fig 54

Coube ao presidente do Instituto Superior Miguel Torga, fazer as “honras da casa”, afirmando perante uma vasta plateia de convidados, entre docentes, funcionários, alunos, familiares e representantes de instituições locais e regionais, que esta é uma «escola que incomoda» porque não aposta em formação «por conveniências conjunturais e voláteis de mercado».

Recordando os 89 anos de «mudança, reconhecimento e desenvolvimento extraordinário», impulsionado por diversos projetos, como a Escola de Coimbra e o lançamento, em breve, de um centro de investigação, Manuel Castelo Branco afirmou que «desde início, fomos e somos uma escola para a comunidade, para as pessoas», com enfoque «no cuidado, solicitude e atenção», razão pela qual Serviço Social e Psicologia são os cursos mais antigos ministrados no ISMT. Com 10 licenciaturas acreditadas pela A3ES e dois novos mestrados para aprovação (um na área da gestão e outro da comunicação), o Instituto Superior «faz parte da história de Coimbra» mas não “parou no tempo”, muito graças ao empenho de toda a comunidade educativa e amigos. «Sem vós, estes 89 anos seriam muito mais difíceis», reconheceu.

 

 

Homenagens e prémios marcam sessão

Além do Prémio Justiça e Liberdade, a cerimónia ficou marcada pela atribuição do Prémio de Investigação e menção honrosa (também uma novidade este ano), e pela entrega dos prémios de mérito e diplomas aos alunos que concluíram o curso em 2024/2025. Houve ainda um momento de “homenagem de reconhecimento” a António Almeida Dias, Emílio Torrão, José Manuel Silva, Maurício Marques, Paulo Seco e Pedro Delgado Alves. |

Janeiro 25, 2026 . 08:00

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