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Saúde mental das crianças assume prioridade máxima

Encerramento do projeto “Vamos Falar sobre Crianças” quer representar uma nova etapa, um caminho de futuro, empenhado em assegurar melhor saúde, com mais dignidade e esperança para os mais novos e respetivas famílias

«Cada intervenção precoce é um investimento no nosso futuro coletivo». Palavras de Francisco Maio Matos, presidente do Conselho de Administração da ULS Coimbra, ontem no simpósio de encerramento do projeto “Vamos Falar Sobre Crianças”, que serviu para fazer um balanço da sua implementação em Portugal e perspetivar o futuro. Um programa centrado na saúde mental das crianças, que pretende passar da “evidência à ação” e que o responsável da maior ULS do país assumiu como um duplo «compromisso», institucional e pessoal.
A prová-lo está, desde logo, o facto de a ULS Coimbra ter escolhido este simpósio como «o primeiro ato público do novo Conselho de Administração». «Não foi um acaso, mas um procedimento estratégico», afirmou Maio Matos, que destacou a atenção e «investimento forte e em continuidade» na área da saúde mental, centrado em diferentes eixos de intervenção, designadamente na área comunitária, na prestação de cuidados e na capacitação e formação de profissionais, sempre com «um foco grande na acessibilidade e na inclusão».
O objetivo é «alargar e consolidar» esse trabalho, apostando na promoção de «um sistema mais robusto», onde mais do que a integração com os cuidados de saúde primários, se «desenvolva um processo de imersão e definição de equipas conjuntas», de forma a permitir «obter resultados na e para a comunidade», garantindo a «equidade de acesso». «Na ULS e no Hospital Pediátrico queremos construir esse caminho da investigação à prática, do cuidado ao desenvolvimento, garantindo que cada criança tem a sua oportunidade de crescer com saúde, em dignidade e esperança», concluiu, na sessão de abertura.
Antes, Tiago Santos, responsável pelo Departamento de Saúde Mental da ULS Coimbra e coordenador regional da Saúde Mental da Região Centro, referiu os «problemas multifacetados», as «leituras multidisciplinares» e os «interesses multiníveis» como pilares essenciais da saúde mental, onde o «grande desafio» é a sua «operacionalização» junto do doente e do respetivo agregado familiar. Um desafio «dos últimos 30/40 anos», subjacente às tentativas de reforma dos cuidados de saúde e onde cabem programas como este, focado na saúde mental, que «tem características fundamentais para essa concretização», em particular a capacitação multidisciplinar, que vai além dos profissionais de saúde. «Se não envolvermos a comunidade, não resolvemos o problema da acessibilidade», mesmo que as soluções sejam «as mais sofisticadas», disse o responsável.
Um programa que, no entender de Tiago Santos, está em sintonia com a Reforma da Saúde Mental, que aposta na «criação de equipas comunitárias» e na «qualificação e valorização de profissionais». Um «novo paradigma» assente na ideia de que «é possível gerir melhor os recursos e dar melhores respostas» e que impõe, como «necessidade absoluta, que o sistema de saúde se organize» em articulação com «as autarquias e com a comunidade», visando uma melhor e mais eficaz gestão, defendeu Tiago Santos.
Alberto Barreira, responsável pelo Departamento de Saúde do Município de Coimbra, deixou claro que a saúde mental é «uma prioridade» para a autarquia. «Não há saúde sem saúde mental e não há saúde mental sem uma estratégia que envolva as famílias e a comunidade», disse, destacando o «trabalho de articulação», feito e a desenvolver no futuro, para que «Coimbra possa ser uma referência na saúde mental infantil»

Janeiro 24, 2026 . 07:30

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