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Baixa navegabilidade do porto é preocupação para a Câmara da Figueira da Foz

Impactos económicos do assoreamento da barra do porto marítimo, que está a inviabilizar a entrada de barcos com mais de 5,5 metros de calado, foi discutida hoje

Na reunião de hoje, o presidente da autarquia, Pedro Santana Lopes, salientou que a entrada no porto com um calado tão baixo não se verificava há cerca de 20 anos e constitui “um enorme problema” para a comunidade portuária.

O autarca adiantou que está agendada uma reunião para a próxima semana com várias entidades para analisar o problema.

“Foi prometido que a obra de transposição de areias ('big shot') [efetuada no verão] ia resolver o problema de entrada no porto nos próximos três, quatro ou cinco anos, mas o que se está a verificar é que com o temporal deste inverno as areias já estão todas depositadas”, explicou, por sua vez, o vereador Ricardo Silva.

Em declarações aos jornalistas no final da reunião, o autarca salientou que foram gastos 19 milhões de euros (ME) no ‘big shot’ e que decorre uma intervenção de 21 ME no canal do porto, que foi suspensa pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

“A suspensão da empreitada vai gerar atrasos e implica custos associados. Com tudo isto estamos a brincar com dinheiros públicos e, nomeadamente, de privados que investiram na obra”, frisou.

Segundo Ricardo Silva, durante esta semana, a única empresa que transporta contentores no porto da Figueira da Foz teve de efetuar uma movimentação de contentores para o porto de Leixões, por meio de 60 camiões, porque os barcos não puderam entrar devido ao calado ter baixado para 5,5 metros.

Empreitada, entretanto parada, prevê aumento da profundidade para permitir entrada de barcos até oito metros

Na semana passada, a APA ordenou à administração portuária da Figueira da Foz a suspensão dos trabalhos de aprofundamento da barra e canal de navegação do rio Mondego até abril, devido aos rebentamentos com explosivos que motivaram queixas dos pescadores.

Em resposta escrita solicitada pela agência Lusa, a APA admitiu não possuir informação sobre o início dos referidos trabalhos e o cumprimento das medidas de mitigação da obra estabelecidas na Declaração de Impacte Ambiental (DIA), tendo requerido à administração portuária um relatório exaustivo, no prazo de 15 dias úteis, sobre os procedimentos já efetuados no âmbito da empreitada.

A obra de aprofundamento da barra, do canal de navegação e da bacia de manobras do porto da Figueira da Foz iniciou-se em janeiro de 2025 e deveria estar concluída em julho deste ano, mas a empreitada, a cargo da Mota-Engil, já acumulava atrasos antes desta suspensão ter sido decretada, para além de ser necessário reformular o projeto de aumento do cais comercial, disse fonte portuária.

A intervenção tem um custo estimado de 21,9 ME de financiamento público e privado: 9,1 ME provêm do programa Sustentabilidade 2030, 8,4 ME de fundos próprios da APFF e 4,4 ME foram disponibilizados por quatro empresas com atividade no porto da Figueira da Foz (Celbi, Navigator, Operfoz e Yilport).

A situação da obra portuária da Figueira da Foz levou, na quarta-feira, a associação ambientalista ZERO a exigir a intervenção do Ministério Público e da IGAMAOT, órgão de polícia criminal que investiga crimes ambientais, devido à alegada violação de normas de impacte ambiental.

Antes das obras, o calado no porto da Figueira da Foz era de cerca de 6,5 metros para navios de carga (comprimento até 120m).

A empreitada, entretanto suspensa, visa o aprofundamento do canal para permitir embarcações com calado de cerca de 8 metros.

Janeiro 22, 2026 . 20:45

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