
Aurora Boreal ilumina o céu da Figueira da Foz
Na noite de 19 para 20 de janeiro, um fenómeno raro e fascinante iluminou os céus de várias regiões de Portugal: auroras boreais. Este espetáculo natural, habitualmente restrito às latitudes elevadas do hemisfério norte, foi visível em locais como Vila Pouca de Aguiar, Bragança, Grândola e Figueira da Foz, fruto de uma intensa tempestade solar que atingiu a Terra.
Esta tempestade geomagnética, classificada como nível 4 numa escala de 5 pelo Centro de Previsão do Clima Espacial dos EUA, foi desencadeada por uma erupção solar poderosa que interagiu com o campo magnético terrestre, projetando as auroras para latitudes muito mais ao sul do que o habitual.
Na região da Figueira da Foz este fenómeno não é inédito. Há cerca de dois meses, a 16 de novembro, durante uma semana marcada pelo mau tempo devido à depressão Cláudia, as auroras boreais também foram avistadas no céu figueirense. O jovem Tiago Pinho captou o momento de forma inesperada enquanto seguia de carro pela cidade.

Tiago, que já fotografou auroras boreais na Serra da Estrela e em Viseu, destaca a raridade deste fenómeno no país, explicando que a localização geográfica de Portugal torna estes avistamentos excecionais. A sua paixão pela meteorologia e fotografia levou-o a integrar a equipa da página Meteo Trás-os-Montes, que partilhou também as imagens do mais recente avistamento deste fenómeno.
Este episódio foi captado pela equipa MARQUES Photography, composta por Maria e Miguel, mestre em Comunicação de Ciência e astrofotógrafo profissional, respetivamente. Os responsáveis pelo projeto estavam em casa quando souberam da possibilidade do fenómeno ocorrer.
«Um amigo que vive na Holanda enviou-nos uma foto e, com base nessas informações decidimos sair», explicou Miguel. O casal dirigiu-se ao Miradouro da Bandeira, em Quiaios, onde conseguiram captar o momento com grande nitidez.
O fenómeno das auroras boreais resulta da interação entre os ventos solares e os elementos químicos da atmosfera terrestre, especialmente na termosfera, onde partículas energizadas criam o efeito luminoso característico.
Estes eventos, além de deslumbrantes, são um lembrete da poderosa ligação entre o nosso planeta e o sol, e da importância de monitorar o clima espacial para prevenir possíveis impactos nas redes de energia e satélites. Como foi o caso da tempestade solar em outubro de 2003 que deixou partes da Suécia na escuridão e danificou infraestruturas na África do Sul. O deste ano é o mais forte desde 2003 e especialistas alertam para danos tecnológicos.











