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Administração de pílula a 18 cadelas de matilhas evitou cerca de 200 nascimentos

Movimento de Intervenção pelas Matilhas alerta para a urgência da legalidade do CED (Captura, Esterilização e Devolução) em cães como uma das soluções para o controlo dos animais errantes

O que é que o Portobello, de 3 meses, a Maria Rita, com cerca de 13 anos, o “jovem adulto” Palito ou a crescida Brownie têm em comum? Os três mais velhos foram animais errantes e o mais pequenino nasceu de uma cadela que fazia parte de uma matilha de Coimbra. Não fosse a ação do Movimento de Intervenção pelas Matilhas e estes patudos poderiam continuar pelas ruas com as fêmeas a gerar ninhadas.
Sofia Magalhães, presidente da direção da associação, recusa-se a falar das matilhas de Coimbra como «um problema», mas, não nega que é certamente «tema na cidade», que necessita de uma resposta concertada, que não se resolve com o parque de matilhas do Canil Municipal. «É um recreiozinho, não responde ao que é necessário. Estamos a falar de cães que vão viver o resto das suas vidas ali, que estão habituados a percorrer quilómetros durante o dia», salienta Sofia Magalhães.
O Movimento de Intervenção pelas Matilhas nasceu em 2019 como um grupo informal de protetores, passando a associação em 2023, com 40 a 50 voluntários e uma rede de protetores pela cidade.

Sofia Magalhães adianta que parque de matilhas do canil municipal não resolve

«O que é que nós tentamos fazer? Ao longo dos anos, pedimos muitas reuniões, demos sugestões do que fazer», explica a presidente da associação, revisora oficial de contas, apaixonada pela causa animal e voluntária há 20 anos em diversos projetos.
Sendo o CED - Captura, Esterilização e Devolução em cães uma prática não legal em Portugal, importa lutar por este procedimento, salienta, referindo que «todas as guidelines internacionais apontam os programas CED como parte da solução de controlo de animais errantes».
O movimento defende o CED «em conjunto com outras medidas», como o combate ao abandono ou campanhas de esterilização massiva, «porque a questão das matilhas não é um problema isolado». «Há cães nas matilhas que já nasceram na rua, são assilvestrados; há outros que foram abandonados e que se juntaram ou cães perdidos», frisou, para dar a noção de que há animais «resgatáveis, socializáveis e adotáveis», como a Brownie, e outros «que vão ser sempre animais assilvestrados».
«Parte da solução está então no controlo da natalidade. Não sendo o CED ainda legalmente possível, começámos a fazê-lo de uma outra forma, porque nos cansámos de gritar por socorro, de retirar ninhadas atrás de ninhadas. Chegámos a ter oito ao mesmo tempo para recolher», adianta.
O que os voluntários têm feito, desde 2023, é o controlo em algumas fêmeas que se aproximam, dando-lhes a pílula. «É discutível, tem imensos contras, nós sabemos. O que desejamos é fazer o CED, mas a verdade é que , neste momento, temos 18 fêmeas controladas», explica, lembrando que, com o anterior executivo, chegou a haver um proposta de protocolo «em que era reconhecido o trabalho» da associação, que representa uma despesa a rondar os 200 euros mensais.

Cadela
Cadela teve ninhada em julho. Desde então, é-lhe dada a pílula

Como sublinha Sofia Magalhães, o controlo destas 18 cadelas - que, sem pílula, «estariam a parir, pelo menos, duas vezes ao ano, - permite estimar que não estão a nascer entre 180 a 200 animais. «Quando seguimos para esta solução foi um bocado no desespero», acrescenta, sem deixar de referir também, mesmo ainda sem abrigo - há um crowdfunding a decorrer, desde 2024, para construir a Casa Abrigo da Nala, mas ainda longe da ajuda necessária (https://www.gofundme.com/f/nalas-sanctuary-casa-abrigo-da-nala)- foi possível «resgatar e dar para adoção mais de 300 bebés».
Neste momento, o Movimento de Intervenção pelas Matilhas tem identificados cerca de 60 animais, nomeadamente na zona urbana da cidade, concretamente na Romeira, Polo 2 ou perto da estação de Coimbra-B.

Janeiro 20, 2026 . 07:45

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