
“Queremos repor a verdade desportiva”
O Domus Nostra está revoltado com a acórdão do Conselho de Justiça e esta tarde, em conferência de imprensa, voltou a reforçar o que tinha feito em comunicado: vão mesmo avançar para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAD).
O presidente Paulo Grego e o “vice” Pedro Gordo deram a cara, mas a decisão é de toda a direção do emblema de Portomar, unida em torno daquilo que dizem estar «a luta pela verdade desportiva».
O líder do Domus Nostra fez um “apanhado” dos acontecimentos e garante que «nada demove» a coletividade. «Isto não é o tentar salvar na secretaria o que não conseguimos no campo. É a luta pela verdade desportiva e este processo expõe as fragilidades de quem promove as competições», disse Paulo Grego, frisando que «os regulamentos são claros, mas ninguém os fiscaliza» e garantindo que «esta infração foi assumida por todos os órgãos da AF Coimbra», não conseguem por tal entender as decisões dos Conselhos de Disciplina e de Justiça e nem tão pouco compreendem como «não houve uma assunção de culpas, nem um pedido de desculpas».
Paulo Grego lembra que a ausência da fiscalização das fichas de jogos, que entende ser da competência da Direção da AFC, também faz «com que o CRI Alhadense tenha sido prejudicado». «Se a AFC tem verificado e fizesse o seu trabalho logo no primeiro jogo da época, no qual o CRIA perdeu connosco para a Taça AFC, eles até já tinham perdido o jogo e só teriam os 150 euros de multa e não os 900. Nem eles sabiam desta situação», frisou.
Paulo Grego lamentou que entre o pedido com carácter de urgência e a reunião passassem 30 dias - «o que revela o espírito desta Direção» -, contudo o ataque mais severo foi ao comunicado feito pelo Conselho de Disciplina. «Foi uma afronta que incendiou as redes sociais. Foi feito à pressa num domingo à tarde», atacou.
Já o acórdão do Conselho de Justiça ditou 37 dias desde o final da primeira fase. «Só conseguiram reunir três dos cinco conselheiros, ou seja, em 37 dias nunca conseguiram reunir os cinco para fazerem um acórdão de duas páginas que ignorou grande parte da nossa defesa e tecem comentários chocantes e não dá para acreditar que foi feito com seriedade», referiu o dirigente, apontando para o facto de «não poderem ser os clubes a fiscalizar, mas sim a própria AFC».
Recurso para o TAD e com efeitos cautelares
«A nossa Direção decidiu que vamos avançar para o TAD com efeitos cautelares. Na opinião do nosso advogado há matéria para suspender o campeonato. Queremos que seja reposta a verdade e temos a convicção de que estamos corretos», atesta.
O Domus Nostra pode dar entrada com o processo até dia 26 (com duas jornadas já realizadas da fase final), e uma vez que o processo vai como uma medida cautelar o TAD costuma responder neste ponto em cinco dias, já o processo poderá depois levar um mês a ser analisado. «Não fazemos isto por capricho e o objetivo não é pôr a equipa no apuramento do campeão, ficámos em 5.º sabemos disso, mas queremos sim acreditar na competição. Tudo o que é obtido de forma irregular tem efeito nulo, por isso se ganhar um jogo de forma irregular não conta», prosseguiu o dirigente.
Questionado se a decisão lhe for favorável, mas chegar apenas no final do campeonato, Paulo Grego atira de pronto: «Se nos derem razão como estamos convictos que vai acontecer, sinto que ganhamos porque é reposta a verdade».
Crowdfunding para ajudar
Para dar entrada com o processo no TAD, o clube paga 1.500 euros e, se perder, a despesa chega aos 8.000 euros. «Estamos do lado certo e vamos fazer história, mas não vamos gastar um euro do nosso orçamento para não hipotecarmos o futuro do clube e dos nossos jovens. Vamos fazer um crowdfunding e acredito que vamos angariar mais de 8 mil euros e fica a garantia que ganhando, o dinheiro que não gastarmos neste processo reverte para os Bombeiros Voluntários de Mira».
A segunda fase da Divisão de Honra tem início na noite de amanhã. O Domus Nostra integra o Grupo B e recebe o Miro na ronda inaugural.










