
Primeira pedra no Abrigo da Ferraria de São João é farol de esperança
A aldeia de xisto de Ferraria de São João, no concelho de Penela, foi ontem um ponto de encontro privilegiado.
Moradores, movimentos associativos e entidades locais reuniram-se no centro da aldeia, exatamente no local onde vai nascer o Abrigo da Ferraria de São João.
A cerimónia de lançamento da primeira pedra contou com a presença de todos, e o descerramento foi presidido por Jorge Mendes, o mecenas que assumiu o custo integral da obra.
Luís Teixeira, presidente da Associação de Moradores, fez as honras da casa e começou por dizer que «este abrigo é muito mais do que paredes.
«É o símbolo de um compromissso público e de responsabilidade social» por parte da comunidade que, perante as adversidades, preferiu «mudar e agir».

Para chegar ao dia de ontem, em que também foi assinado o protocolo de parceria, que junta as várias entidades, desde a Câmara Municipal de Penela, a Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrogão Grande (AVIPG), a Associação de Moradores de Ferraria de São João, a Associação de Desenvolvimento de Aerodinâmica Industrial e Jorge Mendes, e que define as responsabilidades e competências de cada parceiro, «foi necessário um trabalho longo e muita persistência».
Eduardo Santos, presidente da Câmara Municipal de Penela, deixou palavras de agradecimento a todos os que tornaram possível chegar a este momento «de grande significado coletivo», pelo envolvimento de todos os residentes, da Associação de Moradores, da AVIPG, pela resiliência em não deixar cair este projeto que começou a ser pensado logo após os incêndios de 2017, mas também aos autarcas anteriores e ao papel da ADAI, que, «com o seu rigor científico e técnico, permite que este abrigo possa ser uma referência para outras aldeias», no sentido de garantirem a sua proteção.
Mas se a primeira pedra para a construção do abrigo, que tem um prazo de execução de 24 meses e cujas obras deverão começar entre o 1.º e 2.º trimestre deste ano, Luís Teixeira exortou as entidades presentes para a necessidade urgente de construir um tanque de retenção de água e um estradão na vertente sul, como parte integrante de «uma estratégia preventiva e estruturada».
Repto que Dina Duarte, da AVIPG, reiterou pedindo aos autarcas que providenciem, em tempo útil, as limpezas florestais, por forma a que este abrigo «seja o último reduto de segurança».
Ainda na mesma linha de pensamento, João Mendes, presidente da Junta de Freguesia da Cumeeira, destacou o papel do abrigo, desejando que «este equipamento cumpra, preferencialmente, a sua função de espaço coletivo cultural».
Votos reiterados, pelo empresário Jorge Mendes e por Xavier Viegas, da ADAI, que lembrou que «há circunstâncias em que não é possível combater o fogo, pelo que as aldeias têm de ter capacidade de proteger as suas populações, mas também os bombeiros».
E este projeto, «que resulta da mobilização da sociedade, possa ser replicado noutras aldeias do interior, pois o futuro, em termos de fogos, vai continuar a ser difícil».

Jorge Mendes dá nome ao Abrigo da Ferraria de São João
O Abrigo da Ferraria de São João vai ficar conhecido como Abrigo Comunitário Jorge Mendes, em homenagem ao «gesto de generosidade» do empresário que confessou que «desde a primeira hora, não podia ficar indiferente».
E agora chegou o momento de avançar com a obra, pensada e projetada pelo conjunto de parceiros.
A arquiteta Raquel Barbosa explicou que será «um edifício similar aos existentes, construído de forma a poder ficar estanque (janelas e portas cortafogo e fumo) por forma a garantir a segurança da população e de veículos de emergência. Além de abrigo será um espaço coletivo cultural.













