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Lota em fase final de obras vai servir a arte xávega e o turismo

Empreitada, a rondar o meio milhão de euros, está na reta final, transformando os cinco pavilhões. Dois permanecerão ao serviço da arte xávega, já os restantes vão cumprir outros objetivos

Está em fase de conclusão a empreitada de requalificação da Lota da Praia de Mira e dos pavilhões envolventes. Uma obra que é, sobretudo, importante para quem ainda vai para o mar e mantém viva a arte xávega, mas que não deixa de constituir uma relevante alavanca para o turismo, com todas as atividades que o município de Mira pretende desenvolver no local.

São cinco pavilhões que estão a ser alvo de intervenção. Todos eles, frisa o presidente da Câmara Municipal de Mira, estão a ser forrados a madeira, uma opção arquitetónica que segue aquilo que já eram os pavilhões antigos e que tem o claro propósito de «preservar a identidade» da região, onde tradicionalmente existiam os palheiros de madeira.

Com apenas duas companhas (grupos de arte xávega) a operar na praia de Mira, cada uma delas terá, de acordo com Artur Fresco, o seu pavilhão, sendo que outro dos pavilhões ficará na posse do município que aí pretende desenvolver atividades de caráter turístico, cultural e educativo, tirando partido da arte xávega e da bandeira azul que a praia de Mira orgulhosamente hasteia consecutivamente desde a primeira edição do galardão, sendo a única nestas condições. Há ainda dois pavilhões onde se guardam materiais das companhas que já não estão no ativo, desde redes a bóias e outros materiais ligados à pesca artesanal. As companhas, explicar Artur Fresco, não estão em funcionamento e o município tem permitido que ali se guarde o espólio, mas o material «tem de ser retirado ou doado», diz o autarca, que admite receber estas peças para que façam parte de espólio expositivo do município sobre arte xávega. «Divulgar é sempre o nosso interesse final», afirma, explicando que a sua ideia para já para o pavilhão que é da autarquia é transformá-lo e «ter ali um local privilegiado, em frente ao mar», que valoriza a arte xávega tão tradicional na região e que atrai muitos turistas curiosos em ver a chegada dos barcos e o arrastar das redes para terra, com pescado, essencialmente sardinha e carapau.

A obra representa um investimento de cerca de meio milhão de euros, financiado pelo programa MAR203 e reforça o compromisso do Município de Mira com a arte xávega, a segurança das infraestruturas e a preservação de um espaço que é essencial para a comunidade piscatória da praia de Mira.

As principais intervenções incluíram a reparação e substituição das coberturas, revestimentos exteriores, reforço estrutural do muro de suporte de terras, bem como a instalação de uma unidade de produção de energia para autoconsumo, com vista a aumentar a eficiência energética das infraestruturas. A obra já deveria ter terminado, contudo a derrapagem temporal foi prevista pela Câmara Municipal que preferiu suspender os trabalhos durante o verão para não prejudicar a época balnear na praia e o turismo.

“Vida dura” que precisa de mais apoios

«Vida dura», comenta Artur Fresco, a propósito da arte xávega que, com pena sua, tem cada vez menos gente interessada na atividade. «Os jovens não se interessam pela atividade. Dá algum dinheiro mas também dá muito trabalho», admite o presidente. Artur Fresco recorda que a autarquia faz os possíveis por apoiar aqueles que ainda vão ao mar, atribuindo um apoio monetário. «Mas é pouco para o que eles precisam», reconhece, admitindo a possibilidade de «aumentar o valor e incentivar de outra forma».

Sempre que o mar permite, os pescadores entram na água com o objetivo de lançar as suas redes que, pouco depois, puxam para terra, com auxílio de tratores e sob o olhar atento e curioso de muitos turistas. Quando a pescaria é boa, os pescadores equacionam uma segunda ida ao mar no mesmo dia. Mas para tal, o primeiro lanço teve de ser feito bem cedo, pelo que a ida ao mar começa «mal rompe o sol».

 

Arte Xavega 101 T
Janeiro 17, 2026 . 11:15

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