
Máscaras do entrudo de Góis desfilam em festival da Bulgária
As máscaras de cortiça, tipicamente do Entrudo de Góis, já estão há vários dias em terras da Bulgária e hoje é a vez da comitiva goiense, composta por 11 elementos, rumar com destino ao Festival Surva, na cidade de Pernik, onde amanhã o Entrudo de Góis vai desfilar naquele que é um dos grandes festivais dedicados à máscara da Europa. A presença portuguesa faz-se representar unicamente pelas tradicionais máscaras de Góis que serão contempladas pelos milhares de pessoas que vão assistir ao desfile.
«É o auge de tudo», diz Cátia Lucas, da Lousitânia – Liga dos Amigos da Serra da Lousã, associação convidada para a participação no evento que conta com o «grande» apoio do Município de Góis, que também participa na viagem. A responsável admite que estaria longe de pensar que o Entrudo de Góis, que cinco pessoas apenas decidiram reativar há alguns anos, estaria agora a ser convidado e a participar num dos maiores eventos dedicados à temática. «Era um grupo tão pequeno, que apareceu há 21 anos, e agora somos convidados a representar Portugal fora do país», afirma, satisfeita.
A história do Entrudo do Xisto começou com uma tentativa de recuperação de uma tradição praticamente extinta, que se vivia nas aldeias de xisto
A representação do Entrudo de Góis, tradicionalmente o Entrudo das Aldeias de Xisto, faz-se, essencialmente, com as máscaras de cortiça, que cada folião faz manualmente, à sua maneira, ou adquire aos poucos artesãos que sabem da arte de transformar um pedaço de cortiça numa peça para foliar. O resto da indumentária fica ao critério de cada um, geralmente roupas velhas que se encontram esquecidas por casa. «Habitualmente, os homens vestem-se de mulheres e as mulheres vestem-se de homens», explica Cátia Lucas. Tudo o resto sai de improviso, tratando-se de uma forma de entrudo que vive muito da brincadeira e das piadas. «É o que sair», diz Cátia Lucas, admitindo também que para o desfile do Festival Surva não há nada preparado e também aqui «é o que sair».

A história do Entrudo do Xisto começou com uma tentativa de recuperação de uma tradição praticamente extinta, que se vivia nas aldeias de xisto. Começou tímido, mas a verdade é que os foliões de Góis foram aumentando, sempre com o objetivo de «mostrar o entrudo de Góis a outros territórios». «Começámos a ser convidados para alguns encontros em Portugal, a verdade é que temos sempre tido proatividade no sentido de estarmos disponíveis», recorda Cátia Lucas.
A internacionalização aconteceu há dois anos, na Sardenha, Itália, e desta vez, a convite da Rede Ibérica da Máscara, a viagem promete ser grandiosa à Bulgária, tendo em conta a dimensão do festival. «É a primeira vez e estamos um bocadinho a navegar “na maionse”», diz Cátia Lucas, frisando, com satisfação, que nas ruas da cidade de Pernik estarão «milhares de pessoas».
Foliões regressam às aldeias de xisto a 15 de fevereiro
Ao recuar duas décadas no tempo, Cátia Lucas fala de um início «tímido» e de uma atualidade que conta já com 55 pessoas envolvidas que dão corpo ao Entrudo de Góis. «É malta de Góis, do Porto, de Lisboa, são amigos, familiares que se juntam», diz. E na assistência – para o bem e para o mal – são também cada vez mais os espectadores que se deslocam às aldeias de xisto para o entrudo. «Começa até a ser demais para aquilo que idealizámos de início. Não queremos ser um turismo de massas, mas um turismo de autenticidade», diz a responsável da Lousitânea, garantindo que hoje, o Entrudo de Góis, com os seus foliões, já faz parte do calendário nacional do Carnaval. «Toda a gente associa o Entrudo a Bragança. Nós somos o Entrudo mais a sul», diz ainda, informando que, depois da Bulgária, a próxima paragem dos foliões é dia 15 de fevereiro, domingo de Carnaval, por Aigra Nova e pelas restantes aldeias de xisto de Góis.













